
| Quinta-feira, Março 13, 2008
............................................................ Dubstep U-hu! O dubstep está em todas. Vamos ver se os grandes festivais do Brasil finalmente vão acordar e trazer a molecada da Inglaterra (sei não, mas acho que Tim Festival e Skol Beats podem aprontar algo nesse sentido). A XLR8R, por exemplo, está se tornando, pelo menos fora do UK, a bíblia do movimento. Além de darem mais uma capa pro gênero, os americanos têm publicado entrevistas com as figuras chave em seu site, num total de 8. Por enquanto, Skream, Benga e o Caspa ao lado do Rusko (juntos na entrevista certamente por causa do mix que fizeram pra cultuadíssima série de DJ sets da boate londrina Fabric). Muito bacana também é a colaboração que o nosso Mr. Tranquera Bruno Belluomini fez pro site da XLR8R: um pocast com o melhor do dubstep latino. Saca o set list: 1. Los Palmeras "Bombom Asesino (Daleduro Version)" 2. Cardopusher "Homeless" 3. Pacheko "Done With The Zine" 4. Zardonic "Dead Miracles" 5. Thark "Blue (Thark Space Remix)" 6. Dysord Sith "Everything I Touch Dies" 7. Thark "Strange Feel" 8. Daleduro "Heavy Shit" 9. Dubstalker "Bun Out Da Wicked" 10. MPC "Rio Dub Style" 11. Buguinha Dub "Liberate" 12. Digital Dubs "30 Head Riddim (Bruno Belluomini Remix)" 13. Pacheko & Cardopusher "Harp Shaped Box" 14. Subcut feat. Jimmy Luv & Anão "Paga Pau (Uptempo Vocal Mix)" 15. Pacheko & Cardopusher "Lemna" Falando no Bruno (que agora também comanda um projeto de A/V chamado Subcut), o cara marcou presença no documentário The SRK sobre dubstep ao redor do mundo. Assista o trailer: Me despeço do post com a incursão de Rusko na flautinha e na sirene kuntekintiana - uma das preferidas mor da casa. Só pra lembrar daonde veio essa porra toda! Meditate on bass weight! chicodub ecos: Segunda-feira, Março 03, 2008 ............................................................ Africa connection O continente africano tá na moda. Já era tempo... -- Segundo os próprios integrantes, o Vampire Weekend, hype nova-iorquino da vez, toca estilos como “Cape Cod Kwassa Kwassa” e “Upper West Side Soweto”. Rótulos à parte, o som - nada mais, nada menos que um indie rock de mente aberta - é legalzinho. O primeiro single, “A-Punk”, é uma mistura de Specials com Peter Gabriel. -- South African Head Charge: o BLK JKS (Black Jacks) é uma banda sul-africana que funde rock experimental psicodélico, folk local e um quê de dub. Tão na capa da última Fader, o que não é pouca coisa. Falando na revista, não deixe de fazer o download do seu conteúdo 100%... África! -- Já falei do Hey-O-Hansen e o seu “afro alpine dubstep” umas duas vezes. E vou falar mais ainda nos próximos posts: tenho uma entrevista feita com o cabeça do trio que preciso editar e traduzir. Calma que ainda tem mais. Continua… chicodub ecos: Quarta-feira, Fevereiro 27, 2008 ............................................................ Joe Gibbs - R.I.P
1943 - 21/02/2008 Mais um pro saco. Dessa vez o super produtor Joe Gibbs, um dos principais nomes da Jamaica nos anos 70. Faça a sua preza e ouça qualquer uma de suas produções. Só pra listar cinco, fico com Heavy manners, do Prince Far-I, Uptown top ranking, da Althea & Donna, Three piece Suit, do Trinity, Burn babylon, do Sylford Walker e So jah say, do Dennis Brown. chicodub ecos: Terça-feira, Fevereiro 26, 2008 ............................................................ Big Bang Belíssima matéria sobre dub escrita pelo Rafael Guedes, jornalista amigo do dub; cara que sabe das coisas. Aliás, matéria tão essencial quanto aquela do Hermano Vianna escrita pra Folha - essa é pro site rraurl.com. Reproduzo aqui o início do texto. E, como bônus, acrescento o meu top 15 pessoal dos melhores álbuns de toda a história do gênero, listinha que acabou não vingando na edição final do texto (só avisando que o rraurl.com é um site de música eletrônica, então a pegada é bem nessa linha). Poucos lugares no mundo são tão encobertos por um véu de realismo fantástico quanto a Jamaica. Um halo de experiência mística, religiosidade e superstições herdadas do continente africano envolve a vida do jamaicano assim como doses maciças de cultura pop, ultra-violência e marginalidade. Há um senso de obscuridade, revolvido no seio da cultura popular jamaicana, que dissolve os fatos comuns da realidade, em detrimento da própria realidade – na Jamaica, tudo é um grande porvir, engendrado por uma "mística natural" e, no mundo objetivo, nada está feito. "Na Jamaica não há fatos", resume, enfim, o velho adágio popular – apenas lendas. Ou, talvez, apenas muita ganja na cabeça. Fato é que, musical desde sua origem, o povo da ilha caribenha legou à música a veiculação deste estado humano e social de consciência, principalmente depois que deixou de reproduzir discos americanos, nos anos 40, para começar a burilar a suas próprias expressões. Após uma curva ascensional do calipso para o ska, deste para o rocksteady e juntamente com o reggae, a Jamaica encontrou o seu ponto de evolução musical supremo no dub – gênero que se tornaria uma árvore genealógica para o desenvolvimento da música urbana e eletrônica em geral e o mais forte sinônimo da mente criadora jamaicana. Para entender esta influência, no entanto, é preciso remontar à sua origem, que é, em certa medida, ainda desconhecida. 1 - Super Ape - The Upsetters (Island, 1976) O disco mais famoso de Lee "Scratch" Perry subverte a ordem do dub num trabalho zero minimalista. Deveria estar em qualquer lista de discos mais psicodélicos do planeta. 2 - King Tubby Meets The Rockers Uptown - Augustus Pablo (Yard/Clocktower, 1976) Supra-sumo do que ficou conhecido na Jamaica como o "som do extremo oriente". Mistico, etério e sobrenatural: o disco perfeito pra iniciar alguém no dub. 3 - African Dub All-Mighty Chapter 3 - Joe Gibbs And The Professionals (Joe Gibbs, 1978) A série African Dub eternizou os dubs de Errol Thompson, o engenheiro de som de Joe Gibbs. Seus mixes insanos e os samples de latidos, campainhas, sirenes e... barulhos de privada, o transformaram no favorito dos punks. 4 - Cry Tuff Dub Encounter Chapter 3 - Prince Far I And The Arabs (Daddy Kool/ Pressure Sounds, 1980) Esse disco é Londres dando claros sinais a Kingston que o dub já é "outernational". Adrian Sherwood num de seus primeiros trabalhos na mesa de som. 5 - Rids The World Of The Evil Curse of The Vampires - Scientist (Greensleeves, 1981) O dub jamaicano de 1980 a 85 é todo nessa onda: cru, pesadão, cheio de espaços. Uma influência tremenda nas batidas de trip hop e downtempo da década posterior. Diz a lenda que foi mixado numa sexta-feira 13. 6 - The Dub Factor - Black Uhuru (Island, 1983) Se o animal que mais simboliza o reggae é o leão; no dub é o elefante. Ouça a cozinha de Sly & Robbie mixada por Paul "Groucho" Smykle e descubra o porquê. 7 - Blue Room 12" - The Orb (Big Life, 1992) Oficialmente, é um single. Mas essa viagem de ambient, dub e house que dura 39 minutos e 57 segundos (!) merece a lembrança. 8 - No Protection - Massive Attack Vs. Mad Professor (Wild Bunch Records, 1995) Mais trippy, impossível. 9 - Homegrown Fantasy - Zion Train (China Records, 1995) É um disco de dub misturado com dance music ou um disco de dance music misturado com dub? 10 - Research And Development - Dub Syndicate (On-U Sound, 1996) Toda uma geração do UK dub (urbano, eletrônico, digital) está presente nesse tributo ao Dub Syndicate. Os dub remixes são tão inspirados que superam as originais em várias faixas. 11 - The K&D Sessions - Kruder & Dorfmeister (Studio !K7, 1998) Kingston na visão de dois vienenses. Provavelmente, o disco que mais tocou em chill outs nos anos 90. 12 - Drum & Bass Stripped To The Bone - Howie B with Sly & Robbie (Palm Pictures, 1999) O que acontece quando Howie B vai até a Jamaica e toma um ácido. 13 - Hi-Fidelity Dub Sessions Chapter 2 - Vários Artistas (Guidance Recordings) A G-Stone de Kruder & Dorfmeister criou uma escola no final dos anos 90, início dos 00. Essa coleta - segundo capítulo de uma série de cinco - reúne alguns dos melhores alunos. 14 - Never Trust A Hippie - Adrian Sherwood (Real World Records, 2003) Música étnica, bases futuristas, solos de trumpete e grave pesado: essa é a tônica do primeiro disco solo de um dos maiores nomes do dub mundial. 15 - See Mi Ya - Rhythm And Sound - (Burial Mix, 2005) O melhor one-riddim album (disco inteiro com vocais em cima de uma única base) já feito. A sensação é de uma música que não acaba nunca; uma música que beira o infinito. chicodub ecos: |