A Conexão Punk/Reggae
Se você não tem nenhuma familiaridade com esses dois universos, o título aí de cima pode parecer completamente sem nexo. Ledo engano. A insatisfação com o sistema vigente e o desejo de mudar o mundo eram sentimentos comuns a dreadlocks e moicanos. Tava todo mundo no mesmo barco.
Muito antes do roots reggae dominar o mundo, graças, principalmente, ao filme e disco The Harder They Come, e os primeiros discos dos Wailers, já havia uma forte ligação entre a molecada branca, moradora de cidades e bairros pobres e industriais, e a música jamaicana. A explicação para isso é muito simples. Brancos e negros, pelo menos alí, eram vizinhos, e para os mods, ouvir rocksteady e reggae era tão fashion quanto desfilar pelas cidades com aquelas Vespas envenenadas.
Apesar da explosão rasta e de discos como Natty Dread (Bob Marley), Legalize It (Peter Tosh), CB200 (Dillinger), Natty Cultural Dread (Big Youth) e Two Sevens Clash (Culture), o reggae só chegou ao mainstream por causa dos punks.
Don Letts, dono do club Roxy, na falta de mais discos de punk (só haviam umas 10 bandas na época), passou a tocar seus compactos prediletos de reggae - quando falo reggae aqui, falo do seu lado mais selvagem, o toasting e o dub. Não demorou muito para os punks mandarem ele esqueçer o punk-rock e só tocar reggae! Em 76, o líder dos Sex Pistols, Johnny Rotten, foi convidado a apresentar seu Top 10 na rádio inglesa Capitol. No meio daquela barulheira toda, num honroso 3º lugar, estava "Born For a Purpose", do doidão Dr. Alimantado. No dia seguinte, as principais cidades ingleses amanheceram pixadas com o nome do doutor. Nesse mesmo ano, aconteceram revoltas violentas de civis durante o Carnaval de Notthing Hill, o mais famoso Carnaval de rua da Inglaterra, e como não poderia deixar de ser, "War inna Babylon", de Max Romeo e "Police And Thives", de Junior Murvin, ambas produções de Lee Perry, foram a trilha sonora perfeita para os riots. Daí para o The Clash (que fez cover de "Police And Thieves") adotar o Mikey Dread e a cantora Pattie Smith, o Tappa Zukie, foi um pulo. Lojas vendendo reggae pipocavam por todos lados, turnês de bandas punks tinham bandas reggae fazendo abertura. Sob o slogan "Black and White Unite", foi lançado o Rock Against Racism, festival itinerante que tinha em seu cast, arstistas como Elvis Costello e Aswad. Foi uma festa. Johnny Rotten simbolizava tanto essa união, que quando foi fundado o selo Frontline, da gravadora Virgin, ele e o chefão da Virgin foram a Jamaica assinar contrato com Johnny Clarke, The Mighty Diamonds, The Gladiators, Twinkle Brothers, Big Youth e o mais popular entre os punks, Prince Far I. Um super time que fez do Frontline o melhor selo de reggae fora da Jamaica.
No comecinho dos anos 80, o movimento Two -Tone, um híbrido de ska e reggae com punk, e bandas "brancas", como o The Police e UB-40, diminuíram o sucesso do roots and culture, que passou, pelo menos para o mainstream, a ficar desinteressante.
Para ouvir bem a fusão reggae/punk, recomendo a coletânea Wild Dub: Dread Meets Punk Rocker (em breve na minha pasta do soulseek) e o Sandinista!, do The Clash, para mim a banda que melhor soube acrescentar elementos da música jamaicana. Não é a toa que quando saiu do Clash, o cantor Mick Jones fundou o Big Audio Dynamite com o Don Letts. Mais tarde, o Bad se transformaria no Dreadzone, que junto com o Zion Train está na vangarda do dub eletrônico. Outro exemplo bacana está no supra citado Johnny Rotten. Os Sex Pistols não duraram muito e Johnny ababou fundando o PIL, Public Image Ltd., com o baixista Jah Wooble, atual líder da fusão dub/world music junto com Bill Laswell, também saído da cena punk. Resumindo, se existe alguém fazendo reggae, especialmente dub, na Inglaterra dos tempos atuais, é quase certo que ele tenha vindo do punk.
FRANCISCO LINHARES - 12:30 PM
Comments:
Segunda-feira, Julho 28, 2003
Parabéns Atrasado
Desculpa aí Jah, foi mal.
FRANCISCO LINHARES - 3:07 PM
Comments:
Sábado, Julho 26, 2003
Bom Programa

FRANCISCO LINHARES - 11:02 AM
Comments:
Sexta-feira, Julho 25, 2003

FRANCISCO LINHARES - 1:56 PM
Comments: Doidera
Vocês sabiam que na música "Como Dois Cristais", do Ed Motta, há uma participação do DJ pancada Dr. Alimantado? Quem me contou essa foi o brother Luís Reggae Soul. Sabia que o Ed gostava de dub e reggae, mas não a esse ponto!
FRANCISCO LINHARES - 1:41 PM
Comments: Um guia com as 50 obras essenciais do reggae que faz o mundo balançar há três décadas
Tirado da Revista Showbizz
Selecionamos os trabalhos mais autênticos, revolucionários, inteligentes e - acima de tudo - divertidos deste gênero que saiu da Jamaica para fazer sua cabeça, ganhar seu coração e suas pernas
Vários Respect To Studio One (Heartbeat)
O Studio One foi o vestibular dos grandes astros da Jamaica. Capitaneado por Clement Coxsone Dodd, o selo abrigou gente supimpa como Bob Marley, Marcia Griffiths e Lee Perry. A coletânea traz estes e outros artistas, acompanhados pelos lendários Skatalites. É colocar no CD player e se deliciar com o romantismo de Ken Boothe (``Moving Away´´), os primeiros trinados de Burning Spear (``Fire Down Below´´) e uma releitura pelos Skatalites de ``I Should Have Known Better´´, dos Beatles.
Bob Marley And The Wailers One Love (Heartbeat)
A coletânea cobre o período em que Bob Marley, Peter Tosh e Bunny Wailer estiveram na gravadora de Coxsone Dodd. Os Wailers mostram suas influências de doo wop, ska e rock steady interpretando clássicos aboriígines (``Simmer Down´´ e ``I´m Stil Waiting´´) e músicas inéditas. Aqui, a curiosidade fica por conta da versão abolerada de ``And I Love Her´´, pedrada dos Beatles.
King Tubby King Tubby´s Special 1973 - 1976 (Trojan Records)
Fãs dos efeitos inebriantes do baixo, louvemos a memória de Osbourne Radddock! Este homem, que adotou codinome de King Tubby, é o responsável pela invenção do dub, a perversão do reggae que até hoje faz a cabeça do pessoal iniciado. King Tubby´s Special, um CD duplo, abarrotado de grooves federais, traz algumas das invenções do chapeleiro louco ao lado dos Aggovators - hoje conhecidos como Sly & Robbie. De lambuja, ouvimos as intervenções amalucadas de U-Roy, o pai de todos os DJs jamaicanos. Depois, é só lamentar a perda de Tubby, estupidamente assassinado em 1989, durante uma treta no gueto.
Alton Ellis Cry Tough (Heartbeat)
Alton Ellis começou no Studio One para em seguida se tornar um dos cavalos de batalha de Duke Reid - o rival de Coxsone Dodd no império do reggae. Ellis é basicamente influenciado pela soul music, apesar de sua carreira ser mais centrada em ska e rock steady. No CD, que cobre o período 1967-1968, ele enternece até o mais punk dos ogros nas faixas ``Breaking Up´´, ``Why Byrds Follow Spring´´ e ``Ain´t That Loving You´´.
Desmond Dekker Rockin´ Steady - The Best Of Desmond Dekker (Rhino Records)
Desmond Dekker foi um dos primeiros artistas jamaicanos a emplacar em terras inglesas - com o single ``The Israelites´´, de 1968. Ele também demonstrou pioneirismo ao cantar os problemas do gueto - ``(007) Shanty Town´´ - e gravar o clássico de Jimmy Cliff ``You Can Gt I If You Really Want´´. As faixas dessa coletânea datam da época mais rica do cantor, na passagem dos anos 60 para os 70, quando Dekker era empresariado por Leslie Kong.
Lee Perry Scratch Attack! (RAS)
King Tubby criou a dub music e Lee Perry tratou de inventar as normas e padrões do reggae. Scratch Attack junta no CD só dois álbuns memoráveis de Perry, Scratch And Company e Blackboard Jungle Dub. As esquisitices reinam (há ruídos, ecos em profusão, brincadeiras com um dos temas de Os Três Patetas), o baixo de Aston ``Family Man´´ Barret desce a níveis timbrísticos que nem os cães conseguem ouvir e Perry perpetra um álbum clássico.
Augustus Pablo Rockers Meets King Tubby´s In a Fire House (Shanachie)
Augustus Pablo é o codinome de Horace Swaby, um dos bambas da escaleta - espécie de teclado usado como instrumento de sopro. O encontro de Pablo com o pai do dub King Tubby produz faísca e uma penca de clássicos viajandões: ``Selassie I Dub´´, ``Zion Is A Home´´.
Bob Marley & The Wailers The Upsetter Record Shop Part 1 & 2 (ESOLDUN)
Bob Marley sem o verniz que a Island lhe aplicou. O rei do reggae une forças com Lee Perry e manda ver em clássicos, acompanhados das devidas versões dub. Vários deles foram regravados em álbuns posteriores de Marley: ``Concrete Jungle´´ (aqui, com tambores rasta), ``Put It On´´ e ``Rock My Boat´´ - que virou ``Satisfy My Soul´´ ... Upsetter Record Shop traz as primeiras colaborações do rastaman com a dupla Aston e Carlton Barret.
The Abyssinians Satta Massagana (Heartbeat)
Os Abyssinians se destacam entre trocentos rastas jamaicanos por harmonizarem de forma angelical, além de responsáveis por um dos clássicos da filosofia rasta - ``Satta Massagana´´. Este CD é a nova versão do seminal Satta, de 1975, com quatro faixas extras, além da bela ``Declaration Of Rights´´.
Vários Harder They Come (Island)
Trilha sonora do filme homônimo (que no Brasil recebeu o nome de Balada Sangrenta), The Harder They Come colocou a Jamaica no mapa da música. Revelou também o estranho mundo dos rude boys, delinqüentes saídos das favelas de Kingston. Os hits saem os borbotões: Jimmy Cliff é o campeão, com ´´Many Rivers To Cross´´, ``You Can Get It If You Really Want´´ e ``The Harder They Come´´ - que nas mãos de Titãs e Cidade Negra virou ``Querem Meu Sangue´´. Há também Toots &The Maytais, Melodians, Slickers etc.
Vários Beyound The Front Line (Virgin Records)
O título desse disco poderia ser: ``Bob Marley é absoluto, mas está na hora de você conhecer outros produtos da ilha´´. Tem Gladiators (``Look Is Deceiving´´), Mighty Diamonds (a linda ``Right Time´´, um Gregory Isaacs se derramando em romantismo (``If I Don´t Have You´´); o produtor Keith Hudson brilha em ``Civilization´´ e o DJ U-Roy versa sobre a eterna ``Soul Rebel´´, de Bob Marley & The Wailers - aqui numa releitura dos Gladiators. Isso sem falar em Prince Far-I, Culture e outras pepitas rastas.
Bunny Wailer Blackheart Man (Solomonic Records)
É a primeira investida solo de Bunny Wailer, depois de abandonar a trupe do amigo Bob Marley. E que estréia! A banda tem em sua formação Peter Tosh (guitarras), Carlton Barret (bateria) e Robbie Shakespeare (baixo). Bunny faz uma declaração de amor ao rastafari, eternizando hinos como ``Dreamland´´ a faixa-título.
Peter Tosh Bush Doctor (Rolling Stones Records)
Peter Tosh detona num trabalho clássico. A banda é um primor: tem Sly Dunbar e Robbie Shakespeare, além do auxílio vocal dos Tamlins. Keith Richards dá canja nas guitarras e Peter Tosh manda os hits ``Bush Doctor´´, ``Pick Myself Up´´, ``Creation´´ e muito mais.
Black Uhuru Sinsemilla (Island)
O trio vocal Black Uhuru foi o rei da cocada preta na primeira metade dos anos 80. Sinsemilla é um dos melhores retratos dessa época. Michael Rose brilha nos vocais principais, auxiliado pelas harmonizações de Puma Jones (divina) e Duckie Simpson. Em meio a essa seleção, os gols saem com facilidade: ``Sinsemilla´´, ``World Is Africa´´, ``Happiness´´; atente para Skakespeare esmerilhando no baixo em ``Vampire´´.
Dennis Brown Words Of Wisdom (Shanachie)
Dennis Emmanuel Brown é conhecido como ``O Príncipe do Reggae´´. Foi um dos sérios candidatos ao posto de novo Bob Marley quando o rei do reggae se mandou para o Monte Sião. É só ouvir Words Of Wisdom para saber por quê. Brown coloca seu vozeirão a serviço de belas canções, como ``Cassandra´´, ``So Jah Say´´, ``Should I´´ e ``Money In My Pocket´´.
Burning Spear 100th Anniversary (Island)
Marcus Garvey é um dos álbuns seminais da história do reggae. Burning Spear chora as mazelas da escravidão (``Slavery Days´´), lembra dos feitos de Marcus Garvey (ideólogo rasta) e coloca seu nome no panteão do reggae. 100th Anniversary é uma edição especial, que traz Marcus Garvey e sua versão dub num único CD.
Inner Circle Reggae Thing (Epic)
Bem antes de estourarem nas paradas, os gordinhos do Inner Circle já tinha alto crédito entre a moçada do reggae. Boa parte desse sucesso se devia ao carisma do vocalista Jacob ``Killer´´ Miller, um dos melhores amigos de Bob Marley - e canário precioso. Reggae Thing é um dos grandes álbuns do Inner Circle inicial. Cânticos rastafari com tendência soul - ``Love Is The Drug´´, ``Jah Music´´ - e músicas clássicas como ``Tenement Yard´´ e ``80 000 Careless Ethiopians´´ dão o tom. Uma curiosidade: o álbum tem participação especial do guitarrista Neal Schon, um dos líderes da banda de rock baba americana Journey.
Max Romeo War Ina Babylon (Island)
Uma parte importante da história da Jamaica está contada nesse disco. War Ina Babylon nada mais é que um retrato das brigas políticas que corroíam a ilha em 1976, quando os militantes dos dois maiores partidos locais se pegavam na rua. Max Romeo manda uma interpretação poderosa, que o afirmou como um dos vocalistas mais carismáticos do ritmo de Jah. Há de se destacar também a produção de Lee Perry, além dos vocais da grande dama Marcia Griffiths.
Vários Tougher Than Tough: The History Of The Jamaican Music (Island)
Bíblia do reggae, documento histórico, coletânea básica. Qualquer adjetivo usado para definir essa coletânea com quatro CDs é obsoleto perto de sua importância. Tougher Than Tough tem acabamento caprichado, com textos de Chris Blackwell - o capo da Island Records e patrão de Bob Marley, Black Uhuru e outros -, do poeta dub Linton Kwesi Johnson (veja quem é ele logo abaixo) e do especialista em reggae Steve Barrow. A música é um caso à parte. A caixa dá mostras do poder cíclico do reggae - não por acaso, ela começa e termina com ``Oh Carolina´´, cantada pelos Folkes Brothers e pelo DJ Shaggy. Os ídolos estão todos ali: Skatalites, Bob Marley, Dennis Brown, Shabba Ranks... As únicas exceções, talvez por causa de problemas contratuais - ou pura incompatibilidade com Chris Blackwell - são Peter Tosh e Bunny Wailer. Tirando esse vacilo, a caixa é perfeita. Ela faz você compreender melhor as mudanças musicais da Jamaica: o ska virando rock strady, o reggae dando seus primeiros passos e o apogeu do dancehall. Uma coletânea para catequizar qualquer incrédulo.
Gregory Isaacs Night Nurse (Island)
Imagine se Roberto Carlos, ao invés de lançar seu manjado CD anual, tivesse trabalhado com Liminha nos anos 80 e Dudu Marote (ou Memê) nos anos 90. Trocasse as babas por compositores ousados. Ele teria a mesma importância que Gregory Isaacs para a música jamaicana. Conhecedor do caminho do coração feminino, Gregory trabalha com o que a ilha tem de melhor. Night Nurse é clássico desde seu nascimento, com auxílio de Wally Badarou - o produtor de Carlinhos Brown. Hits: ``Stranger In Town´´ e ``Night Nurse´´.
Yellowman King Yellowman (Sony Music)
Winston Foster tirou a música de sacanagem do gueto e levou para as paradas de sucesso dos Estados Unidos. Durante anos Yellowman foi dono da coroa que hoje repousa na cabeça de Shabba Ranks e Buju Banton. Este disco conta com as colaborações preciosas de Afrika Bambaata e Bill Laswell (do Material). O repertório de King Yellowman até hoje é repetido ad nauseam nos shows que o DJ faz por este mundo afora. Coisas de respeito como ``Strong Me Strong´´, ``Country Roads´´ e ``Mi Belief´´.
Sly & Robbie Rhythm Killers (Island)
A cozinha mais poderosa da história do reggae se enfronha no mundo do funk. Sly Dunbar (bateria) e Robbie Shakespeare (baixo) chamam Bill Laswell, Shinehead e Bernard Fowler (hoje vocalista de apoio dos Rolling Stones) para cometer um dos melhores trabalhos dos anos 80. Repertório: ``Fire´´ (musicão do grupo americano Ohio Players), ``Yes We Can Can´´ (do soulman Allen Toussaint) e músicas próprias da dupla, que manda os grooves mais contagiosos do planeta.
Linton Kwesi Johnson Bass Culture (Mango/Island)
Linton Kwesin Johnson, jamaicano radicado na Inglaterra, é o pai da poesia dub. Explicando: o homem joga suas rimas ativistas com métrica e ritmo de reggae - e dos mais arretados. Mas ele não está sozinho na empreitada: se faz acompanhar pelo baixo mágico de Dennis Bovell, que andou mixando até disco do Rappa. O próprio Linton deu suas colaborações à música brasileira, recitando com seu vozeirão tonitroante em Severino, o injustiçado álbum dos Paralamas do Sucesso. Bass Culture é um doce de coco - em que se destacam maravilhas como ``Reggae Sounds´´, ``Inglan Is A Bitch´´ e ``Bass Culture´´.
Steel Pulse True Democracy (Elektra)
True Democracy é o ponto alto do grupo inglês: canções de cunho rastafari (``Chant A Psalm´´, ``Leggo Beast´´) embaladas pela voz límpida de David Hinds e as pancadas certeiras do baterista Steve Nesbitt. Ouça e descubra por que o Steel Pulse foi a igrejinha de gente como Sting e Cidade Negra.
Aswad Live And Direct (Island)
Reggae de primeiríssima categoria, tocado sem firulas e de que leva o público ao delírio. Live And Direct é um dos grandes álbuns ao vivo de todos os tempos. O Aswad defende a filosofia rastafari (``Not Guilty´´, ``Not Satisfied´´), manda um medley de pedradas (``Rockers Medley´´) e pinta o sete em ``African Children´´.
The Police Reggatta De Blanc (A&M/PolyGram)
O Police não segue a filosofia rastafari, não canta as mazelas do povo negro, mas gravou um disco básico para se entender o tal ``reggae de branco´´. O álbum mistura a fúria do punk com o suingue jamaicano e dá a luz a faixas clássicas. ``Walking On The Moon´´ até hoje freqüenta os playlists das FMs pops do país e ``The Bed´s Too Big Without You´´ foi vertida para o jamaicanês pela cantora Sheyla Hilton.
UB40 The Best Of Vol. 1 (Virgin Records)
Os rastamen mais radicais costumam torcer o nariz para o som do UB40. Mas o reggae com tendências pop desse grupo oriundo de Birmingham tem sua importância para o aumento da popularidade do ritmo no mundo todo. Essa coletânea tem de tudo: clássicos jamaicanos, como ``Red Red Wine´´ (primeiro lugar nas paradas americanas) e reggaes-pop bacanas do tipo ``Rat In Mi Kitchen´´ e ``I Got You Babe´´.
King Jammy A Man And His Music Vol. 2 - The Computer Style (RAS)
Tudo que você gostaria de saber sobre o dancehall está aqui. Jammy inventou uma batida em seu tecladinho Casio e mudou a história da música jamaicana. ``Under Mi Sleng Teng´´ teve sua batida copiada por N produtores mas não elevou seu cantor, Wayne Smith, à categoria de superstar. Computer Style dá uma boa dimensão do trabalho de Jammy como produtor. Brilham DJs de boa safra, como Lieutnant Stitchie, Dominic e Nitty Gritty (morto durante um tiroteio com o também DJ Supercat).
Vários Hardcore Ragga Vol. 1 (Greensleeves)
O supra-sumo do produtor Augustus ``Gussie´´ Clarke e seu compositor, Hopeton Lindo. O CD traz os hits mais vibrantes da Jamaica no início dos anos 90. Aqui você confere os primeiros passos de Shabba Ranks em direção ao estrelato (``Mr. Lover Man´´), os trinados de respeito de J.C. Lodge (``Telephone Love´´), um hit magistral de Gregory Isaacs (``Rumours´´) e o brilho de cantores como Deborahe Glasgow e Cocoa Tea.
Maxi Priest Best Of Me (Tem Records/Virgin)
Maxi tem sangue azul do reggae nas veias - é sobrinho de Jacob Miller, o falecido cantor do Inner Circle. É também uma das figuras que mais batalha pela internacionalização do reggae, passando do roots reggae (presente em seu álbum de estréia) a trabalhos com Aswad, Sly & Robbie e Soul II Soul. Best Of Me dá uma geral nos pontos mais altos da carreira do cantor, bem ilustrados em ``Close To You´´ (número na parada americana em 1990), o dueto com o soulman Beres Hammond (``How Can I Ease The Pain´´) e a regravação de ``Wild World´´, que o transformou em mestre do reggae chamego.
Alpha Blondy Jerusalem (EMI Music)
A África foi o continente que mais assimilou as lições de Bob Marley. Óbvio, aquele discurso de libertação bate direto com a história triste de nove entre dez nações do berço da humanidade. O reggae chegou a ser banido das rádios sul-africanas durante o apartheid. Entre os eternos discípulos de Marley está Alpha Blondy, natural da Costa do Marfim. Numa linguagem que mistura inglês, francês e dialetos locais, o cantor junta-se aos Wailers para gravar um dos melhores discos de reggae dos anos 80.
Garnett Silk Gold (VP Records)
Garnet Silk segura o bastião da mudança de comportamento da música jamaicana. Tirou o sexo da boca e voltou à louvações a Jah. Gold é uma coletânea de compactos do cantor e tem belos atrativos. Um deles é ``Mama´´, que você deve conhecer através dos shows dos Titãs. Em português, a música atende pelo nome de ``Marvin´´.
Shabba Ranks, Home T. & Cocoa Tea Holdin´ On (Greensleeves)
Nada melhor do que ser apresentado ao mundo do dancehall através deste álbum - em que Shabba, o DJ mais pornográfico da Jamaica junta forças com os cantores Home T. e Cocoa Tea. As pedradas ``Pirates Anthem´´ e ``Holdin´On´´ tocaram até dizer chega.
Buju Banton ´Til Shiloh (Mango/Island)
Buju se convertou ao rastafarianismo e fez um dos mais belos discos de 1996. Ele capricha nos duetos (o melhor deles é com Wayne Wonder, menino de ouro das jamaicanas), manda um recado para os bad boys (em ``Murderes´´) e fala que seu negócio agora é louvar o santo nome de Jah (em várias faixas). Amém!
Chaka Demus & Pliers Tease Me (Island/PolyGram)
Para os fãs de reggae em todo o mundo, o termo dupla significa a união entre um cantor e um DJ. O primeiro injeta doçura nas composições e o segundo preenche os espaços mandando raps em ponto de bala. Nesse terreno, Chaka Demus & Pliers são os reis. Tease Me é disco para as pistas, com as pedradas ``Murder She Wrote´´ - o single de 1993 na Jamaica -, a regravação de ``Bam Bam´´ e a faixa-título.
Shaggy Boombastic (Virgin Records)
O maior DJ da atualidade. Shaggy saltou do anonimato para um contrato de um milhão de dólares com a Virgin graças ao single de ``Oh Carolina´´, regravação manhosa de uma velharia dos Folkes Brothers. Boombastic mostra que o DJ pode ir além de apenas um sucesso. Ele tira do baú musicões da categoria de ``Train Is Coming´´ (com direito ao cantor original, Ken Boothe) e ``In The Summertime´´ (hit de Mungo Jerry tirado do baú e que ressucitou o autor da canção).
Bob Marley Songs Of Freedom (Island)
A coleção definitiva do rei do reggae. Em quatro CDs, a carreira de Bob Marley é dissecada com maestria. O ouvinte acompanha o início de carreira do cantor, em Kingston, quando ele largou a carreira de soldador para investir na música -delicie-se com o primeiro compacto do cara, ``Judge Not´´. Há diversas colaborações de Bob com o Studio One, de Clement Dodd, os sucessos imortais e faixas inéditas. Tudo embalado pelas bulas de Roger Steffens, o jornalista que mais entende de Bob Marley no mundo todo.
Toots & The Maytals Time Tough: The Anthology (Island)
Toots Hibbert inventou o termo ``reggae´´ e possui um dos gogós mais privilegiados da terra de Jah. A coletânea dupla Time Tough cobre o período pré-histórico do cantor, na época que ele cantava ska, para depois cair nas pérolas criadas pelo cantor (``54-46 (That´s My Number)´´, ``Do The Reggay´´ e ``Monkey Man´´) até os dias de hoje. Mais que essencial.
Lucky Dube Prisioner (Shanachie)
Ex-ator de filmes de terror, o sulafricano Dube é a nova esperança dos fãs do roots reggae. As qualidades dele são infindáveis: ele tem um timbre vocal semelhante ao de Peter Tosh, mistura seu reggae com sons afro e as letras apontam uma retomada da conscientização. Dube declara amor ao reggae (``Regga Strong´´), fala de Jah (``Jah Live´´) e aborda temas vampirescos (``Dracula´´).
Mad Professor It´s A Mad, Mad, Mad Professor (RAS)
Neil Fraser é figura de ponta do dub inglês. Criador do selo Ariwa, por onde grava DJs da estirpe real de Macka B, ele elevou o reggae viajandão a píncaros nunca dantes alcançados - Mad Professor grava até com os deus do Massive Attack. It´s A Mad... seleciona as melhores faixas do mestre, com direito a um pré-jungle - a faixa ``In The Heart Of The Jungle´´, de 1984.
Dub Syndicate Ital Breakfast (On-U-Sound)
A exemplo de Mad Professor, o inglês Adrian Sherwood é especialista em perverter o reggae. Esse engenheiro de som é responsável pelo Dub Syndicate, outra figura de destaque do dub inglês. Ital Breakfast, lançado em 1996, retomas as raízes da criança. Para isso conta com a participação de Dean Frazer, lendário saxofonista jamaicano, Keith Sterling (teclados, ex-Peter Tosh) e o DJ veterano I-Roy.
FRANCISCO LINHARES - 1:29 PM
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Quinta-feira, Julho 24, 2003
Chicodub em Amsterdam
Parte 2: Dreadlocks Dread
Assim que soube que ia viajar, dei uma pesquisada na internet sobre possíveis shows em Amsterdam. O resultado não poderia ter sido mais animador: Asian Dub Foundation, Stereo MC's, e na mesma noite, Mighty Diamonds e Big Youth. Como não sabia exatamente a data da minha volta, Orchestra Baobab, Groove Armada e Michael Rose com Sly & Robbie ficariam de stand by. Se conseguisse ingressos, ficaria mais uns dez dias por lá.
No primeiro dia am Amsterdam, um sábado, passei na porta da Melkweg, uma casa antiga que ocupa um quarteirão inteiro, e arrebatei ingressos para o ADF e o Mighty Diamonds e Big Youth. Já na Paradiso, o outro local dos shows, fiquei de porta na cara. Eles só abririam horas mais tarde. Ok, metade da tarefa já havia sido cumprida. Depois de alguns dias e várias portas na cara, descobri que havia uma central de ingressos pertinho da localização das boates/casas de show. Porém, não só o Stereo Mc's estava sold out, como também, Groove Armada e Orchestra Baobab. Nesse momento, bateu o desespero e agendei minha volta para antes desses shows, incluíndo aí o Michael Rose, vocalista da melhor fase do Black Uhuru, acompanhado da melhor cozinha do mundo e pra completar, no dia do meu aniversário!
A Melkweg é alucinante, uma puta casa que ocupa um quarteirão inteiro. A programação é a mais eclética possível, com exposições de fotografia, artes plásticas e um mini cinema. Quando o evento é pequeno, eles fazem duas festas ao mesmo tempo, uma na Sala Antiga e outra na Sala Nova.
Até hoje não conheço muito bem o repertório do Mighty Diamonds, trio de vocalistas de linha meio soul, só os grandes clássicos do primeiro álbum deles, I Need A Roof/ When The Right Time Come, o que não foi problema nenhum, já que tais músicas foram a base do show. Acompanhando o trio estava a banda de Ansel Collins, pianista presente em todas as fases da música jamaicana, uma lenda viva, como diria o Big Youth mais tarde. Fechando o show, "Pass The Kutchie".
Ainda estou me aprofundando na música dos grandes deejays jamaicanos, mas até agora não ouvi nenhum que se aproxime do Big Youth. No palco, o cara é uma figura, corre de um lado para o outro, arrisca uns golpes de kung-fu e principalmente ri o tempo todo. Presença de palco absurda. Imaginem quando ele era novinho? Agora, sua grande performance foi quando, na segunda ou terceira música (a primeira foi "Satta Massa Gana") ele tirou o chapéu e começou a balançar os dreadlocks feito um alucinado. Parecia o cantor de uma banda de Heavy Metal. Era uma repetição do gesto que em 73 causou polêmica na Jamaica, pois foi a primeira vez que um artista mostrava seus dreads em público.
Depois veio "S.90 Skank", um toast para "They Never Love Poor Marcus", do próprio Mighy Diamonds, "Every Nigger Is A Star", "Screaming Target" e outras maravilhas.
Além de ser toaster, Big Youth sabe cantar muito bem, prova disso é "Hit The Road Jack", música que encerrou o show numa jam session animalesca, com direito a uma seção dubwise imensa, cheia de solos do naipe de metais e uma explosão drum & bass sinistra!
Uma das melhores noites da minha vida, fácil, fácil.
Continua...
FRANCISCO LINHARES - 2:03 PM
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Quarta-feira, Julho 23, 2003
Howard Marks - Mr. Nice Guy
por Will Hodgkinson do The Guardian
Making the jump from cannabis baron to literary raconteur might seem like a strange career move, but Howard Marks hasn't found his new life to be too different from the old one. "I'm still travelling around, stoned off me head," he says. "Same as ever, really."
During his years as the world's most (only?) famous dope smuggler, Marks moved 30 tonnes of cannabis from Pakistan to the US, had 43 aliases and 89 phone lines. In 1988 he was caught and sentenced to 25 years in Terre Haute Penitentiary, Indiana. Following his release in 1995, he knew that he couldn't go back to his old ways.
"You get too scared. When you get out of the nick, you tend to feel a bit guilty about the people you left behind and you want to help them somehow, so my plan was to become a paralegal," he explains. "Then I got offered a hundred grand to write a book."
We are at Marks' small flat in Fulham, a den full of books and records which he uses when he is in London. When he isn't touring his live show of recollections and stoned ramblings, Marks divides his time between Palma in Spain, and York, where he writes.
He certainly lives up to the title of his autobiography, Mr Nice, which kickstarted his post-jail career, and is now the title of a DVD of his live show. With his lilting Welsh burr and easy demeanour, he's extremely charismatic.
"The stage-fright I experience is the nearest thing I get to crossing a border with half a tonne of cannabis," he says. "I must be still addicted to that adrenaline rush it gives you." The international dope-dealing days began in 1972, when Marks, not long out of Oxford University, discovered that the convoys of major rock bands were ideal containers for huge amounts of cannabis.
Pink Floyd, Emerson Lake and Palmer, Genesis and Eric Clapton all unwittingly helped him move the stuff. "There was no connection with the bands themselves," he says. "Just the roadies. It was important that the bands didn't know, for security reasons and because they wouldn't have liked it happening. Besides, they were making enough money. It was easy - Pink Floyd had three trucks in those days. Now they go round with a briefcase."
Rock'n'roll came before sex and drugs as Marks' first love, and in his flat in Fulham are many of his teenage records, including a 78 of Bill Haley's Rock Around the Clock, the first single he ever bought. "When I was 11," he says. "I liked prehistoric, straightforward, primitive rock'n'roll. The huge influence was Little Richard: suddenly this guy was screaming out of the speakers and I had never heard anything so exciting. There was Chuck Berry, Bo Diddley and Screamin' Jay Hawkins too."
Left to his own devices, Marks is most likely to stick on one of his old Elvis LPs, not the dub and techno that he plays in his occasional DJ sets. "Elvis was the one we all wanted to be, but there were others who you could actually go and see," he remembers. "Cardiff was a good venue, and that's where I saw Gene Vincent, and Eddie Cochran on the night before he died. And one of the Everly Brothers."
Marks was incarcerated in a jail in the heart of the Bible belt, and prison life meant seven years of country and hip-hop. "I missed all the ecstasy music entirely," he says. "But my kids brought me up to date - when I got out, and the thing that changed everything for me was Leftfield's first album, which I heard in '96. I thought it was absolutely brilliant, and ever since then, I like to go to places where there are MCs talking a load of bullshit over records."
Prison did allow for a lot of reading, though. It wasn't until then that Marks discovered a love of literature - his education had focused on science and his recreation had involved less reflective pursuits - and the sixth amendment to the US constitution means that prisoners can order any book, short of certain titles such as The Anarchist's Cookbook. Marks lost himself in Camus, Tolstoy and Dostoevsky.
"A lot of us thought we were going to be in jail for the rest of our lives, so you try to convince yourself that the things that matter are always going to be there, even if you've fucked up your own life. And all that crime and brutality in Dostoyevsky seemed pretty relevant." Marks also turned a number of other prisoners on to the classics. "I really liked doing that. There was one guy, a huge mafia man up from New York called Victor Boss. I had just finished Anna Karenina and I gave it to him with the strongest recommendation. It took him a while to get through, but he would come up to me and say: 'It's like I'm living in Moscow! This guy can really write!' "
Marks' all-time favourite records are Forever Changes by Love, and Blonde on Blonde by Bob Dylan. "All the students and anyone who was a bit anti-establishment loved Dylan," he says. "Songs like Masters of War [from 1963's The Freewheelin' Bob Dylan] were criticising governments and nobody had done that kind of shit before. As far as I was concerned Blonde on Blonde was an acid album, and he had got it completely right. I think it was after it that Dylan had his motorbike accident and went a bit loopy and Christian, and the rest of his stuff I'm not that keen on. Christianity had a great effect on Little Richard, but it didn't work so well on Dylan."
The adoption of Marks as a counter-cultural hero has meant that he is often invited to DJ, but his status allows for the occasional lapse into old-fashioned music. "If I do play the Shangri-Las in the middle of a techno set, I can get away with it," he concludes. "They just think I'm stoned."
FRANCISCO LINHARES - 11:48 AM
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Terça-feira, Julho 22, 2003
"You gave me love when i was down"
Ontem no programa Fica Comigo, da MTV, rolou "Guidance Dub", dub de "My Guiding Star", do Horace Andy. O que acho disso? Muito bom. Já foi o tempo que ficava revoltado quando as pessoas começavam a gostar das mesmas coisas que eu, ou que, pra uma coisa ser boa tem que permanecer no underground. Já deixei de ser criança.
FRANCISCO LINHARES - 11:14 AM
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Segunda-feira, Julho 21, 2003
Influência do Dub
Não sei se a galera entra nos links que coloco aqui. Fico sempre com a impressão que não, por causa da ausência de comentários. Vou passar a botar mais entrevistas e matérias direto no dub, assim, não há dúvidas de que o pessoal está lendo. Essa entrevista aí embaixo é com um carinha, chamado Daniel Haaksman, que resolveu compilar dois discos retratando a influência do dub em outros gêneros musicais. Bacana.
Tirei ela da Slant Magazine.
With last year's Dub Infusions 1989-1999 and the new More Dub Infusions, Berlin-based DJ/remixer/journalist Daniel Haaksman has compiled an exquisite collection of dub-infused downbeat artifacts that is not only perfect for aficionados of dub but it's also a gorgeous introduction to the genre for the mainstream masses. As far back as Cyndi Lauper's "Witness" (from 1983's She's So Unusual) to Sinead O'Connor's Faith & Courage (produced by famed dub producer Adrian Sherwood) and Perry Farrell's Song Yet To be Sung, dub music has been an influential force in pop and rock. But nowhere else has dub's influence been as potent than in electronic music. Haaksman, currently busy puffin' away and working on several new projects, took a few moments to speak with Slant Magazine about the influence of dub, both personal and universal.
SLANT MAGAZINE: Why did you decide to start the Dub Infusions series?
DANIEL HAAKSMAN: As a DJ I've been playing dub-influenced music for many years. Daniel W. Best founded his label Best Seven and asked me if I'd be interested in putting together a compilation for him. He came up with the title and I provided the selection of music and the artwork. I decided to create [Dub Infusions 1989-1999] as a sort of look back at ten years of dub influence in dance music. The album starts chronologically with the dub version of "Dub Be Good To Me" by Norman Cook, one of the first tracks I played when I started spinning in 1989. It's also one of the very first sample-based dub tunes. So yeah, the first issue is both a chronological view on one decade of sample-based dub plus a very personal view on tracks that influenced me. Each track on the compilation has a personal relevance to me.
SM: More Dub Infusions is noticeably different from the first installment. What did you intend to bring to the listener with each album?
DH: Dub Infusions 1989-1999 had more of a laidback rhythm because I felt that the slow beat was very crucial in reestablishing the genre in the 90s. Yes, it's a 90s compilation so-to-speak. With More Dub Infusions, I wanted to show that dub is not only limited to a slow groove but that it can be found in basically all musical genres. You have the techno dub of Berlin's Rhythm & Sound, you have it in the William S. Burroughs track, in the hip-hop beats of Roots Manuva and the Fantastische Vier, and you have it with Detroit man Recloose. My intention for both compilations was to present the listener [with] a basic vibe and insight into a particular sound, some of the seminal tracks of 90s dub as well as the different shapes that dub-infused music can have these days. I can [also] live out my old vinyl digger passion in presenting tunes that are forgotten, or that never saw more exposure, like the "Lundaland" mix of Biggabush that was only released here in Germany on 12" or the Sly & Mo tune that never made it out of Austria.
SM: Gus Van Sant & William S. Burroughs' "Millions Of Images" is the only track on the new compilation that was released prior to 1998. How did you come across it?
DH: It's one of my all-time favorites. I first found it in 1990 in a small London record shop. Hüsker Dü's Bob Mould had a 7" label called SOL on which the track was released. I've been a long-time reader of Burroughs and collected a few of his records but this tune is definitely one of his best. I later found out the track is part of a short movie project that Gus Van Sant did with Burroughs in the mid-80s. There's a rumor that Burroughs may be the founding father of dub music in general. Historians still argue about it, but apparently Burroughs spent some time in Jamaica in the late 60s. He always traveled with a tape machine onto which he recorded his poetry. [The machine also had] effects such as echo and delay and, as the story goes, Burroughs met the young King Tubby one day and showed him what one can do with sound when using the effects. Before leaving Jamaica, Burroughs left his tape machine behind and the rest is history.
SM: What about Die Fantastsiche Vier's "Tag am Meer?"
DH: That track is for the trainspotters. Originally it was the backing track for a pretty big German hip-hop tune from the early 90s. The crew is from Stuttgart, which is in the south of Germany. They used to DJ at a club called On-U, where Rainer Trüby was spinning too. He provided the Fantastische Vier with many rare groove samples, [including the] guitar on "Tag am Meer." It's a reference to the club and the time.
SM: Are there plans for another installment in the Dub Infusions series and, if so, would you ever consider compiling it as a mix?
DH: I'm working on two more compilations. Dub Infusions 3 is scheduled for late next year and I'm already laying out the sketches. But I'm focusing much more on a DJ compilation that I'm putting together for my company Essay Recordings and that should come out in early 2003. It's not going to be another dub record, though--more with a view on blues, funk and hip-hop. And it will be mixed. I intended not to mix the tracks for Dub Infusions because there are already zillions of mix CDs and this series is not about DJ skills but about music. Outside of northern Europe (and the U.S.) it's really hard to find dub tracks so I thought an unmixed CD would make much more sense for radio airplay and DJ use.
SM: Speaking of radio, popular artists often lift elements from more underground influences to the mainstream surface. How do you feel about the integration of the genre in mainstream pop and rock?
DH: The more, the better. Dub is the most flexible genre and has been a presence in mainstream culture for a long time. Like soul, it's a sound that will always be in demand because it's the perfect vehicle for communicating specific moods and feelings.
SM: Isn't dub, as a genre, an amalgam of different influences to begin with? What are its origins?
DH: Dub is a studio technique that was [officially] invented by King Tubby in the late sixties. [He discovered that] music could be deconstructed, stripped down to its basics [and] the elements of songs could be laid bare. And out of this deconstruction something new emerged. The vocals would just drop in and out occasionally and the focus was much more on the rhythm or the bass, the rhythmical backbone of a song. As dub is about a structural analysis of music, it can basically be applied in any type of genre.
SM: Do you think dub can ever be "mainstream?"
DH: I can't imagine any dub tune making it into the Top 10 but, as a technique, it appears pretty much everywhere. Take No Doubt's "Hey Baby" for example, where you hear lots of sounds that originally come from dub music.
SM: Why do you think dub has experienced such a renaissance in the past few years?
DH: I think it's for several reasons. One of the main reasons is that dub's instrumental, mellow groove is very easy to consume and works perfectly as a background soundtrack. The whole renaissance--at least over here in Europe--actually started in the chill out rooms of big raves. As there weren't many laidback, relaxed tunes to chill out to, DJs in the late 80s and early 90s started digging for old dub tunes. I had a decisive experience in 1990 at a Frankfurt rave where Alex Patterson from the Orb was spinning. Coming down from a pretty heavy E experience, I laid down on a sofa to relax. Patterson was playing lots of original Jamaican dub stuff. It was very peaceful and warm in contrast to the harsh four-to-the-floor rave sound and gave me the perfect aural surrounding. [It was] a very crucial moment in my clubbing life. Another reason for the renaissance of dub is that besides the functionality of dub, it is a musical genre that very much relies on technology. And as we've experienced a very intense occupation with technology in terms of music-making in the last decade, dub had a huge comeback. It offered itself as the perfect playground for experiments, which included reflections on musical structures in general. And that's why you'll find a dub vibe--or at least dubby elements--in basically all of today's electronic music. Another reason could also be the 90s resurgence of weed-smoking. There's no better soundtrack for being stoned!
SM: Will current dub releases be able to stand the test of time like classic 70s Jamaican dub has?
DH: Absolutely. Good music always will stand the test of time.
Sal Cinquemani
FRANCISCO LINHARES - 2:07 PM
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Sexta-feira, Julho 18, 2003
Warrior Charge
Pouca gente conhece esse filme inglês de 1980, dirigido pelo italiano Franco Rosso, terceiro a mostrar o universo reggae e o primeiro a fazer isso fora da Jamaica. Ainda não o vi, por isso vou ficar devendo uma análise mais apurada.
Babylon conta a história de Blue (Brinsley Forde, do grupo Aswad) e seu Soundsystem Ital Lion na luta por sobrevivência e sucesso, ao mesmo tempo mostrando bem de perto o sofrimento da juventude negra e desempregada. Vale comentar que babylon é sinônimo de tudo que é opressor, da polícia ao Sistema em geral. Se o filme é bom ou não, eu não sei, mas a cena do clash entre Jah Shaka e o Ital Lion deve ser animal.
Presentão: na minha pasta do soulseek tem a trilha sonora, com Yabby You, Dennis Bovell, Aswad, entre outros.
FRANCISCO LINHARES - 6:28 PM
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Quarta-feira, Julho 16, 2003
Dub dica
O site jahsonic.com tem uma parte bacana dedicada ao dub, com sua história, links e bios de Lee Perry e King Tubby. Nada muito profissional, mas é uma boa lida pra quem está começando a ouvir.
FRANCISCO LINHARES - 4:42 PM
Comments: Chicodub em Amsterdam
Parte 1: King Shiloh Soundsystem
Tive a felicidade de ir à Amsterdam no começo desse ano. Depois conto alguns detalhes da trip, como os coffee shops e shows, porque agora quero comentar as minhas idas ao King shiloh, o maior e mais respeitado soundsystem de toda a Holanda, país importante na cena reggae/dub européia. Antes de mais nada, vale falar que nunca tinha ido a um soundsystem desse nível na minha vida, meu contato com dub ao vivo era atráves dos shows do Rappa, do Reggae B, da discotecagem do Digital Dubs, o Asian Dub Foundation no Canecão e uma ou outra festinha. Dessa forma, não posso fazer nenhuma comparação com os grandes soundsystems ingleses.
Fui em três apresentações do KS, duas no OCII, um centro cultural de lá, e uma no Rasta Love International Center, localizado numa faculdade e sede da Twelve Tribes Of Israel local. Como vocês devem estar percebendo, o negócio por lá é profissa.
Posso dizer que nunca esquecerei esses três dias, especialmente por causa do OCII, underground até dizer chega. Pra chegar lá, eu e minha namorada tivemos que levar um mapa no bolso. Falo isso porque ela já foi uma dezena de vezes pra lá, ou seja, se ela precisa de mapa é porque a parada realmente era muito longe. No primeiro dia, (eles tocam nesse pico sempre no primeiro sábado do mês) chegamos um pouco cedo demais. Junto com a gente, só uns cinco rastas e o pessoal do bar. Depois de umas cervejas e um beque, fui até a pista de dança vazia e pensei: "porra, alguém tem que começar a dançar". Uma hora e dois beques depois, o lugar tava abarrotado de gente dançando: rastas, gente bonita, malucos e um casal de coroas lésbicas maconheiras. Coroas sexagenárias, é bom dizer. No som, basicamente steppers (ainda mais pesado que o rockers, batida militante e baixo violentíssimo, ataque massivo) e produções obscuras. Não acho que eu seja um super conhecedor do assunto, pelo menos ainda não, mas saí de lá louco de vontade de saber que diabos eles tavam tocando, não conhecia praticamente nenhuma música.
O dub é um mantra, capaz de te levar a lugares os mais longínquos possíveis. Tocado num lugar como o OCCII, com caixas de som que iam até o teto, e munido da melhor maconha do mundo, tive uma experiência mágica e única.
O núcleo do King Shiloh é formado por um selector e três mc´s (ou dj´s como na jamaica) com estilos bastante diferentes. Me impressionou bastante o jeito como Neil, o selector, põe e manipula a música. Ao contrário das duas pick up´s que todo dj usa, ele usa apenas uma. "Ué, mas como ele muda de um disco pra outro?". Na marra. Depois de tocar o reggae, (só compactos de 7" são usados!) ele, num movimento rápido, muda o lado do disco para tocar o dub. Assim que o dub termina, há uma troca de disco. O papel dos mc´s nesses intervalos é fundamental, já que chega a rolar silêncio por alguns instantes. O cara não tirava o baseado da boca pra nada, de vez em quando olhava pra ele só de sacanagem, só pra ver se ele ainda tava fumando.
O King Shiloh é o principal responsável por levar o dub ao mainstream, já que em algumas datas do ano, eles recebem na Paradiso, a principal boate e casa de shows holandesa, convidados de peso ingleses como Jah Shaka, Bush Chemists, Iration Steppas e Disciples. É a festa Dub Club Y2K.
Está neste exato momento, no meu shared folder do Soul Seek, dois discos da galera do King Shiloh. Um deles eu nem sabia que existia, o outro é o début do Lyrical Benjie, vinil que comprei na viagem. São poucas músicas, mas dá pra sentir o peso dos caras.
Continua...
FRANCISCO LINHARES - 4:33 PM
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Quinta-feira, Julho 10, 2003
Vou colocar aqui no blog um Top 10 mensal com as favoritas da casa.
Top 10 de Junho
1.The Viceroys with Tommy McCook - Slogan On The Wall (discomix)
2.Horace Andy e Prince Jammy - Do You Love My Music Dub
3.Prince Alla e King Tubby - Great Stone (Zion Train remix)
4.Horace Andy - Why O Why (Revolution)
5.Cornell Campbell and The Eternals - Queen Of The Minstrels (discomix)
6.Dennis Brown e Winston "Niney" - Fire From The Observer Station
7.Don Carlos - Guetto Living
8.Linval Thompson e Lee Perry - Fu Man Version
9.Twinkle Brothers e Jah Shaka - Rise And Shine Dub
10.Yabby You e Michael Prophet - Riot In Birmingham
Depois comento música por música e coloco a seleção no meu shared folder do Kazaa
FRANCISCO LINHARES - 4:04 PM
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Sexta-feira, Julho 04, 2003
Le Dub
Em 1979, o cantor francês Serge Gainsbourg ("Je t´aime moi non plus") foi a Jamaica gravar um disco com a nata, o crème de la crème, o fino, da música jamaicana. O resultado é Aux armes et caetera, com a super dupla Sly & Robbie na bateria e no baixo, Ansel Collins no piano e os backing vocals das I-Trees de Bob Marley. O que parecia bizarro na época, só confirma o vanguardismo de Gainsbourg, que chegou a declarar que o dub jamaicano podia servir a França de ótimas idéias. O baterista Sly Dunbar chegou a afirmar que Aux armes et caetera era o melhor disco de reggae gravado por um não jamaicano (Gil, morra de inveja). Esse disco foi a base para o nascimento da cena de reggae francesa, palco de bandas interessantíssimas como o Le Peuple De L´Herbe, Labº e Zenzile. Aux armes et caetera foi um sucesso tremendo, e levou Gainsbourg a repetir a dose dois anos depois. Nascia Mauvaises nouvelles des étoiles, que não conseguiu repetir o sucesso do anterior por ser extremamente cru e pesado (era o começo do Dancehall). Agora, 12 anos depois da morte de Serge Gainsbourg, o jornalista fã de reggae Bruno Blum, decidiu revitalizar esse período, indo até a Jamaica com as fitas master dos dois discos. Para o deleite de dub-maníacos e amantes da boa música, está nas melhores prateleiras de lojas de discos do mundo, (será que tem na Fnac?) Versions Dub, cujo nome já diz tudo. Quem cuida das mixagens (quem gosta de dub sabe que o trabalho do engenheiro de som no estúdio é tão importante quanto os solos de guitarra dos grandes mestres no rock) é Cegrica "Soljie" Hamilton, ex- engenheiro do lendário Channel One. As únicas mexidas no trabalho original estão em "Marilou Reggae", que contou com a bateria de Leroy "Horsemouth" (astro do filme Rockers) e o baixo de Flabba Holt, dos Roots Radics e Dub Syndicate, e na participação de Dj´s, em especial Big Youth, que faz uma versão do hino francês "La Marseillaise" inna english-patouis style!
Cara, como eu quero ouvir esse disco, pra mim, a terceira parte da conquista mundial do dub. A primeira parte seria o Gorillaz Vs Space Monkeys e a segunda o Dub Side Of The Moon.
Só pra completar, existe um disco de homenagem a Serge Gainsbourg chamado "I Love Serge: Electronicagainsbourg", com remixes de Orb, Howie B., Dzihan & Kamien, e outros. Dá-lhe Sérgio!
FRANCISCO LINHARES - 2:01 PM
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Quarta-feira, Julho 02, 2003
Programa Legal
Hoje é dia de programa legal na web, o "A Begginer´s Guide To Reggae", apresentado todas as quartas por Steve Lammar, da BBC. Desde que comecei a ouvir, já passaram por lá, entre outros, Johnny Clarke, Junior Byles, Fred Locks, King Tubby, Jackie Mittoo e especiais com Horace Andy e Marcia Griffiths, uma das I-Threes de Bob Marley. Se você não conseguir ouvir o programa ao vivo, (de 21:00 às 22:00, horário local) o site segura o último show por uma semana. Depois falo mais sobre como ouvir boa música através de rádios on-line.
FRANCISCO LINHARES - 3:46 PM
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Terça-feira, Julho 01, 2003
Crássico
Baixei no Kazaa, meio que sem querer, uma das melhores músicas que já ouvi ma minha vida. Pode até ser um certo exagero, mas que ela é muito matadora não há dúvidas: "Slogan In The Wall" - The Viceroys with Tommy McCook (Alternative Discomix). Ela é de um disco chamado "Nice Up The Dance - Studio One Discomixes".
Pra quem não sabe, o discomix é da família do extended version, showcase e da versão 12", isto é, reggae seguido de dub, sem pausas.
FRANCISCO LINHARES - 1:18 PM
Comments: Novidade
Caros leitores, estou formando com uma galera parceira um blog coletivo. O nome eu digo depois, porque estamos ainda em fase de teste. Ainda não sei o que fazer com este blog aqui, mas acredito que ele deva funcionar somente para assuntos exclusivamante jamaicanos: linhas de baixo esfumaçadas e matadoras. Não que o novo blog não vá falar de reggae, dub e afins, mas deve ir para um outro caminho, que aliás, eu não sei qual.
FRANCISCO LINHARES - 1:04 PM