Quarta-feira, Outubro 29, 2003
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Sly & Robbie Ao Vivo

fotinha feita pela galera do esquemageral
Quem viu, viu. Quem não viu, desculpem a sacanagem, se fudeu. Sly & Robbie destruíram o Teatro João Caetano. Foi um show curto, de no máximo 1 hora, mas suficiente para entrar para a história. Acompanhados do saxofonista fodão Dean Frazer e do pianista foda Franklin Waul, Sly & Robbie tocaram alguns dos grandes riddims da música jamaicana, como Swing Easy, que abriu o show (meu preferido!), Real Rock (versão "Nice Up The Dance", de Michigan & Smiley, cantada por Dean Frazer) e também duas músicas do Black Uhuru, os clássicos "Shine Eye Gal" e "Plastic Smile", ambas do melhor disco do trio, "Guess Who´s Coming To Dinner". O estilo do show foi bem dancehall, finalzinho dos 70, começo dos 80, com seções dubwise imensas em todas as músicas. O drum and bass tava tão forte e na pressão que nem senti falta de efeitos, como ecos e delay. O sax de Dean Frazer servia para suavizar a porrada seca que saia da batera de Sly e dos grooves sinuosos de Robbie (como toca esse cara!). No começo, tava achando o som um pouco baixo, o que me fez ir mais pra frente. Aí sim, senti a pressão no peito.
Meu medo de não poder dar 1 2, afinal, estavamos no Teatro João Caetano, palco dos mais tradicionais do Rio, foi desnecessário. O show tava completamente legalize. Fumei um beck inteiro a poucos metros de dois seguranças, os únicos que vi no show inteiro. Inclusive, no balcão do segundo andar, tinha um espaço ao ar livre que tava escancarado. Era um atrás do outro.
Analizando friamente, o show podia ter sido mais longo, em outro lugar (o João Caetano é tão pequeno que fez muitos rastas ficarem de fora), e com bis no final (não me lembro de ter ouvido tantos aplausos depois de um show, pelo menos em um bom tempo), mas no final, a sensação foi de êxtase total.
Gilberto Gil, dono do festival, e Marcos Suzano, mestre de cerimônias (e do pandeiro), afirmaram que o Rio vai entrar de vez pro calendário do Percpan. Vamos torcer para que ano que vem mais jamaicanos loucos e insanos apareçam. Jah!
FRANCISCO LINHARES
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Domingo, Outubro 26, 2003
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O dubblog orgulhosamente apresenta: Hi-Fidelity Dub Sessions Volume 5

Guidance Recordings returns with the fifth volume in this acclaimed series showcasing the very best in modern dub music. Hi-Fidelity Dub Sessions: Chapter 5 is an inspired collection of future roots riddims featuring contributions from downbeat masters Thievery Corporation, Sterotyp, G-Corp, Ralph Myerz and the Jack Herren Band and many more. Here they join forces to deliver an album of heavyweight sounds that fuse technology with time honored tradition to propel the Jamaican art form know as dub safely into the 21st Century. The subtropical selection will appeal to reggae purists as well fans of the dubwise sounds of trip hop, 2 step, drum and bass , dancehall, and downtempo grooves. It's true what dem say " The sound's sweeter through the echo chamber!"
No site da Guidance Recordings dá pra ouvir todas as faixas em real audio.
FRANCISCO LINHARES
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Sábado, Outubro 25, 2003
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Eu sou esse maluco aí de camisa cinza. Fotinha feita no Digital Dubs, na Lapa

FRANCISCO LINHARES
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Sexta-feira, Outubro 24, 2003
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Suas Majestades Baixo e Bateria

Por Carlos Albuquerque, do O Globo

Não ao preconceito! Quem disse que lugar de baixo e bateria é na "cozinha"? Refazendo a arquitetura da música, os jamaicanos Sly (Dunbar) e Robbie (Shakespeare), atração mais pesada da versão carioca do festival PercPan, provam "ton ton por ton ton" que algumas peles esticadas e um instrumento de quatro cordas são mais do que o suficiente para fazer a terra e nossos estômagos tremerem. Em Salvador, onde foi criado e chega à sua décima edição, o evento começa hoje e vai até domingo, com as mesmas atrações a que os cariocas vão assistir na terça-feira.

Monstros (con)sagrados dos respectivos instrumentos - Sly é da bateria, Robbie se liga num baixo - eles tocam juntos há mais de 30 anos. Nesse período, não apenas definiram o que é reggae - tocando com praticamente todos os grandes nomes do gênero - como deram uma mãozinha a astros da música pop - como Mick Jagger, Grace Jones, Bob Dylan, Joe Cocker e Carly Simon - em busca de um molhinho extra para as suas músicas.

Falando em cozinha, falando em molho, por causa da forte pronúncia local, só há uma coisa mais difícil do que entender um jamaicano falando. É um jamaicano tentando falar enquanto come.

- Wehnf jamaisleaha lovhysg uhnnn...Brusil - diz Robbie Shakespeare ao atender o telefone, direto de Miami, na Flórida.

Com esforço, compreende-se que ele está almoçando e, em nome do bom entendimento entre as nações, a ligação é refeita, dez minutos depois, quando prato e boca já estão vazios.

- Perdão, agora está tudo bem (risos) . Gostaria de dizer que é um prazer tocar no Brasil. Nós jamaicanos amamos o Brasil, principalmente o seu futebol. Será que vou conseguir ir ao Maracanã? - pergunta ele, já de barriga forrada.

Talvez sim, talvez não. Mas dificilmente um fã de reggae vai deixar de ir ao Teatro João Caetano, na próxima terça-feira, assistir à dupla tocar ao vivo. Ou, na véspera, ver os dois participarem da cerimônia de abertura do PercPan, no Espaço Criança Esperança, no Morro do Cantagalo, com a presença do ministro da Cultura, Gilberto Gil.

Afinal, ninguém no mundo toca igual a Sly & Robbie. Certamente, existem bateristas e baixistas mais técnicos do que eles. Mas é que tanto Sly quanto Robbie sabem tocar as notas certas nos momentos certos. No caso deles, menos é muito mais. Mais suingue e mais pressão, por exemplo. Não é à toa que os dois são conhecidos como "the riddim twins", "os gêmeos do ritmo".

- Eles são fabulosos - derrete-se o percussionista Marcos Suzano, diretor musical do festival. - Eles fecharão a noite e tocarão por uma hora. Mas sei que vai ser difícil respeitar esse prazo. Todo mundo quer ver os dois.

A dupla já esteve por aqui no distante ano de 1978, acompanhando Peter Tosh numa histórica e conturbada apresentação do saudoso cantor no São Paulo/Montreux Jazz Festival. Na ocasião, em plena ditadura militar, Tosh subiu ao palco usando roupa de beduíno, dando golpes de caratê no ar e fumando cigarros proibidos.

- Lembro vagamente que foi um escândalo (risos) . Ainda mais que era um festival de jazz. As pessoas nos olhavam como se fôssemos marcianos - diverte-se o baixista.

De lá para cá, o mundo mudou bastante - a ditadura caiu e o DJ Marlboro virou atração de um festival de jazz - mas Sly & Robbie permaneceram inabaláveis. Os dois não apenas testemunharam os anos de ouro do reggae (na década de 70), como também participaram de uma das bandas mais criativas da sua história, o Black Uhuru, que ganhou um Grammy em 1983.

Uma união que resistiu a mais de 200 mil músicas

No fim dos anos 80, o reggae trocou de pele e no lugar da suavidade de Bob Marley e cia. entraram em cena as batidas agressivas do raggamuffin, com MCs deitando falação, inspirados pelo hip hop americano. Mais uma vez, no centro das atenções, estavam Sly & Robbie, produzindo, tocando e lançando discos pelo seu selo Taxi. Pergunta: como um casamento (são mais de 200 mil músicas juntos) resiste a tanto tempo?

- O que nos une são respeito mútuo e entrosamento. Posso tocar com Sly de olhos fechados.

O mais recente lançamento deles foi a coletânea "Late night tales" (importada), na qual listam algumas das suas principais influências: soul, funk e até disco. Por aqui, o último CD a chegar nas lojas foi "Drum and bass strip to the bones" (Trama), no qual tocam uma das suas especialidades (o lisérgico som dub) ao lado do produtor Howie B.

Robbie garante que a dupla vai estar em boa companhia no show no Rio.

- Dean Fraser ( renomado saxofonista jamaicano ) vai nos acompanhar. Devemos levar também um guitarrista - explica Robbie. - O clima deve ser de jam session , um longo e sinuoso groove.
FRANCISCO LINHARES
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Quarta-feira, Outubro 22, 2003
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Fotinhas do Peter Tosh, em 77, durante sua passagem pelo Brasil. Os cliques são do Maurício Valladares.


FRANCISCO LINHARES
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Segunda-feira, Outubro 20, 2003
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A estranha história do imperador que, sem perceber, acabou virando Deus

Matéria que saiu recentemente na Super Interessante. Por Doc. Reggae
Eis um personagem sobre o qual há que se escrever duas biografias. Temos a
história de um imperador etíope, estadista controvertido, que durante 44
anos (alguns destes no exílio) comandou seu país à mão de ferro. E então uma
segunda versão desse mesmo personagem, um lado B muito mais escandaloso do
que os dos políticos ingleses de hoje: para um monte de gente neste mundo,
até ouvintes de reggae e fumantes de maconha, Hailé Selassié é ninguém menos
que... Deus! Então, vamos por partes.
O primeiro Selassié, o que se tornaria imperador, nasceu em 1892, em
Ejarsagoro, nordeste da Etiópia. Os pais o chamaram Tafari Makonnen. Como o
pai era primo do rei Menelik II, aos 12 anos já era governador de província.
Educado em casa por missionários franceses, mostrou logo que era inteligente
e despachado, e muito por isso tornou-se o queridinho do rei, galgando
posições - entre elas, a de genro. Em 1916, mancumunou-se com a cunhada, a
imperatriz Zauditu, nomeou-se regente e 14 anos depois viraria imperador. A
bordo de um novo nome, Hailé Selassié I revelou-se um governante
centralizador, que escolhia pessoalmente todos os funcionários, dos mais
graúdos aos criados do palácio. Às vezes parecia bem-intencionado, e não se
pode negar que tenha tentado engonçar o país no mundo moderno. Mas era
paradoxal, pois discursava contra os imperialistas e mantinha relações
obscuras com alguns deles, especialmente a Inglaterra, onde se exilou
durante a ocupação italiana na Etiópia, entre 1935 e 1941.
Entre os feitos de Selassié está essa resistência heróica, ainda que
mal-sucedida, às tropas de Mussolini, quando chegou a liderar seus soldados
no campo de batalha. É dele também o mérito de a Etiópia ter sido admitida
na Liga das Nações, em 1923, e em sua sucessora, a ONU, em 1942. Entrou para
a história como um dos pilares do movimento pela unidade africana. Seu plano
de "modernização", contudo, não foi capaz de tirar a Etiópia da miséria.
Entre uma e outra viagem pelo mundo - incluindo aí o Brasil, em 1960, quando
se encantou com Clementina de Jesus e jantou com Juscelino Kubitschek no
Palácio da Alvorada -, ele se esparramava no trono, entre os muitos leões de
estimação, exigindo que os vassalos lhe beijassem a mão. Enquanto isso, o
país sucumbia à burocracia, à corrupção e à fome. Aos 84 anos, deposto,
debilitado e feito prisioneiro em seu próprio lar, morreu misteriosamente
(dizem que asfixiado por um travesseiro). Seus restos mortais foram
encontrados sob um vaso sanitário há poucos anos, e foi preciso os
familiares fazerem um apelo à ONU para que as autoridades etíopes
concordassem com a realização de um enterro digno.
Agora vamos ao "outro" Selassié. Sua origem também remonta ao final do
século XIX, só que aí como aspiração dos negros de uma Jamaica pobre e com a
escravidão ainda mal cicatrizada. Ávidos leitores da Bíblia, eles se
reconheceram na história de perseguição aos judeus, a busca da terra
prometida (no caso deles, a África) e passaram também a esperar por um
messias. Em 1927, o jovem ativista Marcus Mosiah Garvey afirmou que um rei
negro seria coroado na África, e que a partir desse dia a redenção estaria
próxima. Aí Selassié tornou-se imperador, adornando seu novo nome com
títulos não de todo improváveis numa monarquia cristã como a etíope - Reis
dos Reis, Senhor dos Senhores, Leão das Tribos de Judá... Já era tarde: os
jamaicanos o tomaram por Deus, ou Jah. E se você acha que estou inventando,
por favor ouça os discos de Bob Marley: foi ele quem espalhou essa história
por aí.
FRANCISCO LINHARES
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Terça-feira, Outubro 14, 2003
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FRANCISCO LINHARES
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Depois de passar na loja Chico do Reggae, vá ao Bar do Chico ouvir um dub! Alguma coisa me diz que existem chicos com bom gosto em Sampa.

DUB NA RUA - DUBVERSÃO SOUND SYSTEM
Neste D O M I N G O !
A partir das 14 horas, na Rua Barão do Bananal, 1942. BAR DO CHICO.
C O M P A R E Ç A M!!!

FRANCISCO LINHARES
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Segunda-feira, Outubro 13, 2003
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Select Cuts From Blood And Fire
Já estava na hora de falar aqui no dubblog dessa que é a melhor série atual de discos de dub, desbancando a sensacional Hi-Fidelity Dub Sessions (4 volumes e um especial) do primeiro lugar. A parada é o seguinte: a melhor gravadora de relançamentos reggae, com especialidade em toasting e dub, de todos os tempos, a inglesa Blood And Fire, disponibilizou todo o seu catálogo para ser remixado pelos principais artistas da nova cena dub. Tem Zion Train, Dreadzone, Smith And Mighty, Groove Corporation, Iration Steppas, Disciples, Jah Wobble, Dubphonic, Nick Manasseh, Stereo MC's, Mr. Scruff, Seven Dub e uma porrada de outros artistas, grupos e projetos que eu nunca tinha ouvido falar. Do outro lado, tem: King Tubby, Lee Perry, Scientist, Horace Andy, Linval Thompson, Yabby You, Big Youth...Os três discos lançados até agora pela gravadora alemã Select Cuts - que também tem outros ótimos discos, como Step Like Pepper, de Nick Manasseh - são essenciais para a história do dub. O novo homenageando e reiventando o velho. É de chorar de emoção. Quando no aniversário da minha namorada, há pouco mais de um ano atrás, o DJ Marcelinho da Lua sacou o segundo volume e tascou um remix de Great Stone, remixado pelo Zion Trian, eu falei "fudeu, o remix do remix!". Desafio qualquer leitor a citar discos com graves tão acachapantes e furiosos.
Ao contrário da maioria dos discos de dub, fora os da B&F, o encarte é bem legal, com textos dos artistas envolvidos, geralmente falando da sua admiração por música jamaicana e como ouviram o som pela primeira vez.
Boas compras ou bons downloads.
FRANCISCO LINHARES
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Domingo, Outubro 12, 2003
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dubnews
Uma curiosidade: o dub parece ter inspirado alguns criadores de software, que bolaram o primeiro programa de edição de vídeo e de efeitos especiais dentro da filosofia do código aberto e que pode ser usado em computadores GNU-Linux. O nome? Jahshaka!
Quem deu o toque foi o brother Leo Vidigal.

FRANCISCO LINHARES
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Bem, finalmente o blog saiu da inércia!
FRANCISCO LINHARES
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Riddim Twins

Dia 28 de outubro, uma terça, tem show da dupla Sly & Robbie no Teatro João Caetano. Os melhores e mais famosos músicos jamaicanos são a atração principal do festival de percussão Percpan. Quem perder é mané.
Simplesmente, é impossível gostar de reggae sem nunca ter ouvido, pelo menos, uma música com a participação de Sly Dunbar, bateria, e Robbie Shakespeare, baixo, seja como músicos, seja como produtores. Os caras são os reis do drum and bass.
A parceria data de 1975, ano em que os dois passaram a tocar regularmente juntos, criando a grife de qualidade Sly & Robbie. O primeiro produto criado não poderia ter sido melhor. Do estúdio Channel One, incentivados pelos donos, os irmãos Hookim, e pelo Dj I-Roy, nascia, graças a dupla, o sub-gênero rockers. Fica um pouco difícil explicar o que é o rockers pra que não é viciado em música jamaicana. Simplificando, é um reggae com a batida acelerada e pesada, um som ainda mais militante que o roots. O riddim, base, vinha do rocksteady, só que completamente diferente devido a técnica dos dois. Durante uns dois anos, foi o rockers do Channel One que dominou os grandes soundsystems da ilha. Mudanças no reggae, mudanças no dub. A banda Revolutionaries assina alguns discos de dubs do estúdio. Dentre eles, destaco Vital Dub Strictly Rockers, com dubs do disco Right Time / I Need A Roof, dos Mighty Diamonds
Em 1979, a dupla funda a gravadora Taxi e se junta ao trio de vocalistas do Black Uhuru, formando uma banda, coisa rara na Jamaica. Escutar Guess Who´s Coming To Dinner, Sinsemilla, Red, Chill Out, Tear It Up - Live, The Dub Factor (dubs de Chill Out e Red) e Anthem (versão jamaicana) é obrigação de todo ser humano. O Black Uhuru do início dos anos 80 era o que havia de mais avançado no reggae. Pesado até dizer chega. Sly cada vez mais ia incorporando syndrums e outros tipos de engenhocas digitais, criando um som robotizado, metálico.
Os discos com o Black Uhuru e a turnê mundial com a banda dePeter Tosh, junto com os Rolling Stones, abriram portas e mais portas para as produções da dupla. Sintam o casting: Joe Cocker, Mick Jagger, Bob Dylan, Ian Dury, Herbie Hancock, Maxi Priest, Cindy Lauper, Barry Reynolds, Carly Simon, Grace Jones. Responsa.
Particularmente, não sou muito fã dos dubs de Sly & Robbie. Gosto mais deles como músicos. Certamente, no meu disco dub dos sonhos eles estariam tocando, não produzindo. Estou bastante curioso para esse show porque Sly praticamente não toca mais bateria. O cara, hoje em dia, só meche em programações.
Gostaria de indicar uma trilogia de discos crossover. São eles: Riddim Killers, Silent Assassins e Language Barrier. Tem músicas com Herbie Hancock, Bill Laswell, K-R-S-One. É a popular misturada, só que anos e anos antes de alguém pensar em fazer isso. Outro disco essencial, é Drum And Bass - Striped To The Bone parceria dos dois com o produtor Howie B. É um disco díficil de definir, mas que é foda. Moderno e antigo, antigo e moderno.
Engraçado o show de Sly & Robbie ser na mesma semana do badalado Tim Festival. Quem tem batera e o grave mais envolvente e agressivo de todos os tempos poderia tocar em qualquer evento de música eletrônica do mundo.
"Are you reay for the bass?"
FRANCISCO LINHARES
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