
| Quarta-feira, Outubro 20, 2004
............................................................ É hoje, mané! ![]() FRANCISCO LINHARES ecos: Terça-feira, Outubro 05, 2004 ............................................................ Scientist ina gonzo style Hopetown Brown, conhecido mundialmente como Scientist, foi o jamaicano que a gigantesca equipe do "Dub Echoes" mais encontrou e trocou idéias. Não por vontade própria. Mesmo morando há um tempão nos Estados Unidos, quase cinco em Los Angeles, o cientista (maluco) não perdeu o seu jeitão jamaicano de ser. Em cinco dias de L.A, totalmente programados em função do cara, só fomos conseguir entrevistá-lo no último dia. E olha que por pouco a entrevista não aconteceu. Depois de alguns telefonemas frustrantes - Scientist parecia estar sempre numa importante ligação interurbana - conseguimos marcar de encontrá-lo no terceiro dia, num barzinho chamado Temple Bar. Hopetown (ele não gosta, não me pergunte o porquê de ser chamado de Scientist) queria porque queria que a entrevista fosse lá, apesar da nossa certeza absoluta de que o local seria barulhento e escuro. Não deu outra. Após um look geral, antes mesmo do cara chegar, já dava pra ver que uma entrevista nessas condições não aconteceria. Meia hora depois do combinado, Scientist aparece logo com o papinho "ei, me explica o propósito desse documentário de vocês, o que vocês pretendem fazer com ele?". Pronto. Era a senha indicando problemas. Pra resumir a história, uma longa discussão que não dá nem vontade de comentar aqui, o figura queria 3% dos lucros do filme! Saímos do bar deprimidos e eu ainda saí com o meu nome escrito errado num compacto ( no lado B de "He Can Surely Turn The Tide", do Johhny Osbourne) que tinha pedido pra ele autografar. Filha da... Agora, bate-boca à parte, é preciso ser dito que o cara é gente boa. Pelo menos quando o assunto não era dinheiro. Em nenhum momento a conversa partiu pra baixaria e estupidez, ou seja, foi bem diferente do que rolou com o King Jammy e seu menager bad-boy (texto pra mais tarde). O cara é falante, quase não tem sotaque jamaicano (o que facilita o diálogo que é uma beleza) e contou uma ou outra história interessante, como o "Science Kit", home-vídeo que ele está fazendo, espécie de guia prático na arte da engenharia de som. Quarto dia em Los Angeles, segundo dia de encontro com Scientist. Mais uma vez ele insistiu em marcar num bar. Mais uma vez saímos de lá de mãos abanando. Scientist tinha sido contratado pra operar a mesa de som de umas bandas reggaes de quinta categoria. Lembro que uma delas chamava Isaac Haile Selassie. Como diz o Yellow P, o mais puro "reggae iô-iô". O plano do cara era fazer a entrevista depois dos shows. Plano furado, tava na cara. Quando já estávamos se prontificando para desistir, completamente revoltados e sem a menor idéia do que ia acontecer, ou seja, se ele daria a entrevista antes de irmos embora e se ele assinaria o termo de liberação de imagem, Scientist pediu pra gente esperar, que realmente gostaria de participar do filme e que nos daria duas entrevistas. Uma após os shows e outra no dia seguinte. Depois ficou dizendo que estávamos muito tensos, que precisávamos relaxar e que ele tinha o remédio perfeito pra isso: um belo e graúdo camarão californiano! Quando as coisas pareciam que estavam indo bem, já eram duas da matina e nem sinal dos shows terminarem. Scientist pediu desculpas várias vezes e deu sua palavra dizendo que no dia seguinte daria uma ótima entrevista com direito a um "dub demonstration" pro doc. Se está parecendo difícil, espere pra ver o que aconteceu no terceiro dia, o mais difícil de toda a viagem, inclusive na Jamaica. A terceira e derradeira tentativa se deu num estúdio que tinha produzido o "Mothers' Milk", do Chilli Peppers, "Ritual De Lo Habitual", do Janes Addiction, "G-Funk Era", do Warren G e um do 2Pac que esqueci o nome. Qualquer tentativa de escrever como foi a entrevista será inútil. O que aconteceu foi uma sucessão de cenas bizarras, cada uma pior que a outra. Scientist não tem a menor intimidade em frente a uma câmera. Fica se mexendo de um lado pro outro, roendo unhas e (cruzes) tremendo. As perguntas, que antes ele de havia feito questão de elogiar, agora eram ridicularizadas. Alguns assuntos ele se recusou a falar, como o motivo da saída dele da Jamaica em 83 e também sobre a série clássica da Greensleeves (Steve Barrow, A&R da gravadora Blood & Fire e autor do lívro Rough Guide to Reggae, nos contou ,em off, que o Scientist até hoje não recebeu nada por esses discos e que ele saiu da ilha com medo da violência, tendo se afundado legal na cocaína depois disso). O homem não entendia como podia ser possível uma entrevista onde só o entrevistado aparece! Isso fritava a cabeça dele. "E eu, vou estar falando com quem no vídeo, com um fantasma?" Hahahaha! Mesmo com tudo isso, a entrevista teve momentos interessantes. Todos depois de uma pausa pra dar uma "refrescada na cabeça", segundo ele. Refrescada essa que resolvi participar e que quase me fez perder o rumo da entrevista. O negócio era forte, mais tão forte que fez apagar a última pessoa que entrevistou o cara. Quem me disse isso foi um tal de Hawaiian Lion, um cara que era do Big Mountain e que teve no seu último disco solo alguns mixes do Scientist. Dentre as palas mais malucas do cientista está uma em que ele diz que, se soubesse aonde o dub teria levado sua cabeça, ele nunca teria sido engenheiro de som e que a música é uma maneira de ver a mente das pessoas. E a mente das pessoas que fazem música eletrônica habitam lugares muito, muito estranhos. O resto, só vendo o filme. FRANCISCO LINHARES ecos: |
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