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Domingo, Janeiro 28, 2007
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JHF


"Gosto de ouvir música que me possa transportar para outro lugar em minha mente. É por isso que gosto de música dub e de muita música psicodélica".

Cedric Bixler Zavala, do The Mars Volta
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Quarta-feira, Janeiro 24, 2007
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Sexta

26/01 - Sexta - 23h
UNDER ME SENSI
DJs Marcelinho Dalua e Calbuque convidam DJ Gu-Mix (Austria).
Lista amiga ($12): mande um email para jocavidal@gmail.com
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Domingo, Janeiro 21, 2007
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On-U Sound e Adrian Sherwood estão de volta!

Parte 2

Becoming a Cliche - Adrian Sherwood

"Up above my head I hear music everywhere"
"Every men want a piece of the earth / but no men want peace on the earth"
"Rastafari says the cat"

Taí, tituluzinho enigmático esse, de ficar matutando um tempão sobre o que diabque diabos ele quer dizer. Bom, vai saber. O fato é que Adrian Sherwood fez (de novo) um discasso, obra prima que supera o anterior e já antológico "Never Trust a Hippie", de 2003, seu debut como artista solo. A fórmula básica (cliche?) é a mesma: beats com um quê de dancehall; chuvas e mais chuvas de efeitos; tribalismo marcado por forte percussão, cantos de tribos e samples de animais selvagens; flerte com a "world music": faixas em italiano, francês, tablas indianas, cítaras etc etc. Na verdade, "Becoming a Cliche" parece um disco turbinado - só que menos tribal e mais futurista - do African Head Charge (projeto de Sherwood com o percussionista jamaicano radicado em Londres Bonjo I), acrescentado das batidas de dancehall - beats surgidos pela primeira vez num single 10" que tinha "Pass the Rizla" e "Zero Zero One". O ano era 2002, época em que Sherwood começou a trabalhar com os contemporâneos Jazzwad (Bounty Killer, Damian Marley) e Lenky (Diwali riddim, Sean Paul, Beenie Man). Aliás, as duas músicas pioneiras voltam em forma de remakes à "Becoming a Cliche". "Nu Rizla" é um "Pass the Rizla" mais calmo e climático. E "St Peter´s Gate", uma atualizada, com violino e tudo, em "Zero Zero One".

Porém, as batidas mais old school volta e meia aparecem. Caso de "Stepping Crowd", stepperzão guiado por flauta; "The noise from Brazil", downtempo jazzy; "J´Ai Change", roots reggae com riff marcante dos metais e a voz de diva da cantora e artista plástica (é dela a capa do disco) franco tunisiana Samia Farah; "Silly Old Dub", típico UK dub; "A piece of the earth", one drop pilotado por Carlton "Bubblers" Ogilvie até descambar num jungle pilotado por Congo Natty, um dos mestres do gênero.

A única grande diferença deste "Becoming a Clichê" do seu antecessor, quase todo instrumental, é a presença de um timaço de vocalistas, figurinhas fáceis dos trabalhos anteriores de Sherwood. São eles, além da já citada Samia Farah: Lee "Scratch" Perry, Little Roy, Dennis Bovell (em duas músicas), LSK (em duas também), Bim Sherman, Mark Stewart, Raiz, Simon Bogle (com o 2 Badcard) e Dennis Alcapone. Ah, tem a Emily Sherwood também, a filha mais nova do papai coruja.

Outra participação de destaque fica por conta do Crispy Horns, trio de metais que aparece em quase todas as músicas do disco. Formado por Richard Doswell (sax), Chris Petter (trombone) e Dave Fullwood (trumpete), o Crispy Horns é parte integrante de todos os discos do Zion Train e do line-up dos seus principais shows. Dois deles, Petter e Fullwood, formam o Love Grocer, projeto de dub produzido e mixado por Dougie "Conscious Sounds" Wardrop.
A participação dos caras é tão fundamental em "Becoming a Cliche" que tenho a sensação que Sherwood os presenteou com "The House of Games", dancehall totalmente dominado, do começo ao fim, pelo naipe.

Os três melhores momentos:

"Animal Magic" + "Zoo Time"

Melhor interpretação, por mais bizarra que seja, de Lee "Scratch" Perry desde o álbum "Experryments At The Grass Roots Of Dub", com o Mad Professor, há mais ou menos dez anos. Também destaco o sample (sempre muito bem-vindo) de "Ravi Shankar", do Dub Syndicate, e as frases dos metais, que lembram elefantes, leões e macacos. Confere só no dub, "Zoo time".
(Sherwood disse numa entrevista que fará em breve um disco com Perry. Será? Só de pensar em "Time Boom Vs The Devil Dead" e "Secret Laboratory", os grandes trabalhos de Perry fora do mítico Black Ark, fico arrepiado.)

"Monastery" + "Home Sweet Home" + "Monkey See Monkey Dub"

Ainda que sinistra por causa dos samples de canto gregoriano, "Monastery" e suas versões, a cantada "Home Sweet Home" (Mark Stewart) e "Monkey See Monkey Dub" são as mais dançantes do disco. Não sei vocês, mas acho canto gregoriano uma parada pra lá de sinistra. Surgem na minha cabeça imagens de torturas sanguinolentas praticadas por padres inquisidores. E canto gregoriano é o que não falta nesse riddim de baixão envolvente e batidão meio dancehall. Base perfeita pra a aula de mixagem que o professor Sherwood dá. As músicas sobem, descem, descem mais, sobem novamente, vão pra cá, pra lá... Tudo atochado de efeitos e noises industriais.

"Stop the Bloodshed"

Ragga monstro cantado pelo italiano Raiz, ex-vocalista da (ótima) banda Almamegretta. "Stop the Bloodshed" consegue ser ao mesmo tempo extremamente porrada e melódica. Nascido em Nápoles, sul da Itália, Raiz vai do vocal mais rascante e gutural possível a um flow altamente melódico, de influência do norte da África, região que exerceu enorme impacto naquela parte da Itália. No instrumental, o synth e o piano calminho tocado por "Bubblers" contrapõem o batidão quebrado. Épico.
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Sexta-feira, Janeiro 19, 2007
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Guitarrista do Radiohead lança compilação de reggae
"Jonny Greenwood is the Controller" faz parte da série da clássica Trojan Records


por Tetê Tavares, do Rraurl

Depois de DJ Spooky e Don Letts, Jonny Greenwood é o convidado da Trojan Records para mergulhar em seus arquivos. O guitarrista do Radiohead aceitou o desafio e resolveu pular de cabeça: ele passou nada menos do que seis meses ouvindo apenas que Lee "Scratch" Perry, Ken Boothe, Junio Byles, Marcia Aitkin e centenas de outros nomes que passam pela clássica gravadora. "Não tem nada além disso no meu iPod desde abril", comenta no blog Dead Air Space.

A compilação Jonny Greenwood is the Controller será lançada nos Estados Unidos no dia 6 de março. O nome é uma homenagem à primeira faixa, "Dread Are The Controller", do cantor e produtor jamaicano Linval Thompson. O volume inclui ainda faixas de nomes como Gregory Isaacs, The Heptones, Marcia Griffiths e, claro, Lee "Scratch" Perry.

Tracklist:

01. Linval Thompson - "Dread Are the Controller"
02. Derrick Harriott - "Let Me Down Easy"
03. Marcia Aitken - "I'm Still in Love"
04.Gregory Isaacs - "Never Be Ungrateful"
05. Lee "Scratch" Perry - "Bionic Rats"
06. The Heptones - "Cool Rasta"
07. Scientist & Jammy & the Roots Radics - "Flash Gordon Meets Luke Skywalker"
08. Lee "Scratch" Perry & the Upsetters - "Black Panta"
09. Junior Byles - "Fever"
10. Desmond Dekker & the Aces - "Beautiful and Dangerous"
11. Lloyd's All Stars - "Dread Dub (It Dread Out Deh version)"
12. Marcia Griffiths - "Gypsy Man"
13. Johnny Clarke & the Aggrovators - "A Ruffer Version"
14. The Jahlights - "Right Road to Dubland (Right Road to Zion dub)"
15. Junior Byles & Lee Perry - "Dreader Locks"
16. Delroy Wilson - "This Life Makes Me Wonder"
17. Scotty - "Clean Race"

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Sei lá, mas acho que a Trojan só convidou o guitarrista por causa da onda em torno do "Radiodread", projeto dos americanos do Easy Star All Stars que remontaram o clássico "Ok Computer", do Radiohead, inna reggae fashion. Po, seis meses pra montar uma coleta dessas? Fala sério! Mas enfim... Ótima oportunidade pros fãs da banda entrarem em contato com a música jamaicana.
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Jamaica Hi-Fi #6: breve no Radiola Urbana.

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Quinta-feira, Janeiro 18, 2007
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URBe news

No URBe, Bruno Natal escreve sobre as músicas que tão bombando nos Sound Systems de Kingston - ele conferiu in loco!

* Batizado após a série de blecautes que tem assolado a Jamaica, o riddim de dancehall "Power cut" é o mais escutado. Todos os grandes nomes da ilha, de Vybz Cartel e Elephant Man à Bounty Killer, já utilizaram a base. Busy Signal também.

* O "Taxi riddim", originalmente gravado nos anos 80 pela dupla Sly & Robbie, voltou com tudo, Buju Banton à frente da melhor versão, chamada "Driver".

* Pra fechar, a recém-lançada "Church heathen", do Shaggy. Quando canta sobre bases jamaicanas, sem preocupação de tirar o pé para soar palatável, Shaggy é um monstro.
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Johnny Was

A história desse filme lançado em setembro do ano passado é mais ou menos a seguinte. Irlandês (Vinnie Jones) se muda pra Londres na tentativa de esquecer seu violento passado como membro do IRA. Em cima do seu ap, em Brixton, mora um jamaicano traficante (Eriq La Salle). Em baixo, um rasta (o boxer Lennox Lewis!), DJ de uma rádio pirata. A convivência com os vizinhos é tranqüila até a chegada do seu ex-mentor (Patrick Bergin), que acaba de escapar da prisão e bate a sua porta em busca de abrigo.

Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=TYAIknOexAI

A trilha sonora, escolhida por Adrian Sherwood, é absurdamente matadora. Reúne clássicos jamaicanos, um ou outro jungle e pérolas da On-U Sound. Sente o drama:

2 Bad Card - Weed Specialist
Adrian Sherwood - Stepping Crowd
Adrian Sherwood - Trot One Off
Adrian Sherwood - Zero Zero One
Adrian Sherwood - X Planation
Afro Celt Soundsystem - Whirl-Y-Reel 1
Beanie Man - In the Ghetto
Creation Rebel - Space Movement 5
Congo Ashanti Roy - Breaking Down the Pressure
Congo Natty - Banana Boat Man
Congo Natty - H.I.M. War
Dennis Bovell - Different Dub
Dub Syndicate - Fire Burning
Dub Syndicate - 2001 Love
Dub Syndicate - Precinct of Sound
Dub Syndicate - African Landing
Dub Syndicate - Fight the Power
Dub Syndicate - Stoned Immaculate
Ganja Kru - Super Sharp Shooter
Ghetto Priest - Visionary
Ghetto Priest/Ri Ra - Rise Up
Harry Beckett - Monsters
Home T./Cocoa Tea/Shabba Ranks - Pirates Anthem
Ja-Man All Stars - Herb Cutter
Junior Delgado - Invisible Music
King Tubby - Great Stone
King Tubby - Peace and Love in the Dub
Lee Perry/Dub Syndicate - You Thought I Was Dead
Lenky Marsden - Diwali Rhythm
Little Roy - Piece of the Earth
Little Roy - Bongo Nyah
Little Roy - Jah can Count on I
Natty Wailer - Lift Your Spirits
Noah House of Dread - Murder
Samia Farah - Homesick Blues Dub
Sam Sarpong - Brixton Party
Singers and Players - Bloodshed dub
The Abyssinians - Satta Massagana
Yellowman - Zungguzungguguzungguzeng
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Quarta-feira, Janeiro 17, 2007
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On-U Sound e Adrian Sherwood estão de volta!


Parte 1

A On-U Sound, de Adrian Maxwell Sherwood, a mais espetacular gravadora de dub não-jamaicano está de volta. E em grande estilo, com novos lançamentos e a prometida volta de mais de 60 títulos fora de catálogo há anos, muitos valendo pequenas fortunas em sites como o E-Bay. O motivo de tanto tempo no limbo chama-se EFA, uma distribuidora alemã que quando quebrou, no final dos 90, ou começo dos 00, não lembro ao certo, levou junto um monte de gravadoras. E a On-U, que já tinha falido uma vez nos anos 90, se deu mal de novo.

Mas agora os tempos são outros. A major EMI se associou a On-U e vai cuidar da distribuição das pérolas sherwoodianas. É... ainda há vida inteligente nas grandes gravadoras, como vocês podem reparar. Ao mesmo tempo, alguns lançamentos sairão pela Real World, do Peter Gabriel. Sinais evidentes de que finalmente chegou a hora de AMS e por tabela toda a famíla On-U de colherem os louros pelo brilhantismo, vanguardismo, experimentalismo, porraloquismo e todos os outros ismos (positivos) em mais de duas décadas de serviço prestados a boa música.

Dos grandes nomes da primeira fase do dub inglês (Dennis Bovell, Jah Shaka e Mad Professor), talvez Sherwood seja o menos conhecido no universo da música jamaicana. Dois motivos aparentes explicam o fato. Seu primeiro disco solo, "Never trust a hippie", só saiu em 2003. Em outras palavras, era a primeira vez que seu nome aparecia na capa de um disco, ao invés de sair apenas nos créditos. É que Sherwood sempre preferiu trabalhar escondido, nas sombras, guiando um sem número de projetos anos luz à frente da produção musical da época - não é a toa que alguns discos vinham com a frase "another 1992 On-U Sound production", mesmo tendo sido lançados 10 anos antes!.

A On-U sempre flertou com todo o tipo de som. E esse é o segundo motivo: a falta de rótulos. David Rodigan, um dos DJs de reggae mais famosos de todos os tempos, disse na época do lançamento de "Spaceship Africa" (1980), do Creation Rebel, que aquilo não era reggae. Ele tava quase certo. Aquilo era On-U reggae! Música com assinatura, marca-registrada, manja? Sem fórmulas, totalmente original, inovadora. Outro exemplo é o disco "Learning to cope with cowardice", do Mark Stewart and Maffia, que com sua mistura de jazz, dub, punk, noise, funk e hip hop inspirou ao mesmo tempo o trip hop do Massive Attack e o industrial do Nine Inch Nails e do Ministry!

Os principais colaboradores de Sherwood são os (finados) cantores jamaicanos Bim Sherman e Prince Far I; o baterista Style Scott, do Roots Radics (Dub Syndicate); o percussionista Bonjo I (African Head Charge); o trio de músicos americanos Skip Mcdonald, Keith Le Blanc e Doug Wimbish (Tackhead, Little Axe); Gary Clail e Mark Stewart. Todos esses, além de muitos outros, você encontra no recém lançado (On-U/EMI) "On-U Sound Collection, slashed and mixed by Adrian Sherwood", um disco de grandes clássicos da On-U mixados pelo mestre, tipo um dj set, só que turbinado com mais samples e efeitos.

O "Tackhead Sound Crash" (On-U/EMI) vai na mesma vibe, só que apenas com músicas do trio McDonald, Wimbish e Le Blanc, rapaziada monstra que toca junta desde a época do selo Sugarhill, comecinho do hip hop (o LP "The Message" do Grandmaster Flash & The Furious Five, de 1979, é todo tocado por eles!).

O mesmo trio aparece no projeto Little Axe, liderado por Skip McDonald, que acaba de botar nas lojas seu mais novo disco, "Stone cold Ohio" (Real World). O Little Axe faz um dub-blues (às vezes caindo pro gospel) muito bom. Dizem que sem ouvir Hard Ground, de, seria impossível o Moby fazer o "Play".

Continua...
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Quinta-feira, Janeiro 11, 2007
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E o melhor disco de 2006 é:


Semana que vem é a semana Sherwood aqui no blog. Fica ligado.
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Dinamite! janeiro 07

chicodub
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