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Quarta-feira, Fevereiro 27, 2008
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Joe Gibbs - R.I.P


1943 - 21/02/2008

Mais um pro saco. Dessa vez o super produtor Joe Gibbs, um dos principais nomes da Jamaica nos anos 70. Faça a sua preza e ouça qualquer uma de suas produções. Só pra listar cinco, fico com Heavy manners, do Prince Far-I, Uptown top ranking, da Althea & Donna, Three piece Suit, do Trinity, Burn babylon, do Sylford Walker e So jah say, do Dennis Brown.

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Terça-feira, Fevereiro 26, 2008
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Big Bang

Belíssima matéria sobre dub escrita pelo Rafael Guedes, jornalista amigo do dub; cara que sabe das coisas. Aliás, matéria tão essencial quanto aquela do Hermano Vianna escrita pra Folha - essa é pro site rraurl.com. Reproduzo aqui o início do texto. E, como bônus, acrescento o meu top 15 pessoal dos melhores álbuns de toda a história do gênero, listinha que acabou não vingando na edição final do texto (só avisando que o rraurl.com é um site de música eletrônica, então a pegada é bem nessa linha).

Poucos lugares no mundo são tão encobertos por um véu de realismo fantástico quanto a Jamaica. Um halo de experiência mística, religiosidade e superstições herdadas do continente africano envolve a vida do jamaicano assim como doses maciças de cultura pop, ultra-violência e marginalidade. Há um senso de obscuridade, revolvido no seio da cultura popular jamaicana, que dissolve os fatos comuns da realidade, em detrimento da própria realidade – na Jamaica, tudo é um grande porvir, engendrado por uma "mística natural" e, no mundo objetivo, nada está feito. "Na Jamaica não há fatos", resume, enfim, o velho adágio popular – apenas lendas. Ou, talvez, apenas muita ganja na cabeça.

Fato é que, musical desde sua origem, o povo da ilha caribenha legou à música a veiculação deste estado humano e social de consciência, principalmente depois que deixou de reproduzir discos americanos, nos anos 40, para começar a burilar a suas próprias expressões. Após uma curva ascensional do calipso para o ska, deste para o rocksteady e juntamente com o reggae, a Jamaica encontrou o seu ponto de evolução musical supremo no dub – gênero que se tornaria uma árvore genealógica para o desenvolvimento da música urbana e eletrônica em geral e o mais forte sinônimo da mente criadora jamaicana. Para entender esta influência, no entanto, é preciso remontar à sua origem, que é, em certa medida, ainda desconhecida.


1 - Super Ape - The Upsetters (Island, 1976)

O disco mais famoso de Lee "Scratch" Perry subverte a ordem do dub num trabalho zero minimalista. Deveria estar em qualquer lista de discos mais psicodélicos do planeta.

2 - King Tubby Meets The Rockers Uptown - Augustus Pablo (Yard/Clocktower, 1976)

Supra-sumo do que ficou conhecido na Jamaica como o "som do extremo oriente". Mistico, etério e sobrenatural: o disco perfeito pra iniciar alguém no dub.

3 - African Dub All-Mighty Chapter 3 - Joe Gibbs And The Professionals (Joe Gibbs, 1978)

A série African Dub eternizou os dubs de Errol Thompson, o engenheiro de som de Joe Gibbs. Seus mixes insanos e os samples de latidos, campainhas, sirenes e... barulhos de privada, o transformaram no favorito dos punks.

4 - Cry Tuff Dub Encounter Chapter 3 - Prince Far I And The Arabs (Daddy Kool/ Pressure Sounds, 1980)

Esse disco é Londres dando claros sinais a Kingston que o dub já é "outernational". Adrian Sherwood num de seus primeiros trabalhos na mesa de som.

5 - Rids The World Of The Evil Curse of The Vampires - Scientist (Greensleeves, 1981)

O dub jamaicano de 1980 a 85 é todo nessa onda: cru, pesadão, cheio de espaços. Uma influência tremenda nas batidas de trip hop e downtempo da década posterior. Diz a lenda que foi mixado numa sexta-feira 13.

6 - The Dub Factor - Black Uhuru (Island, 1983)

Se o animal que mais simboliza o reggae é o leão; no dub é o elefante. Ouça a cozinha de Sly & Robbie mixada por Paul "Groucho" Smykle e descubra o porquê.

7 - Blue Room 12" - The Orb (Big Life, 1992)

Oficialmente, é um single. Mas essa viagem de ambient, dub e house que dura 39 minutos e 57 segundos (!) merece a lembrança.

8 - No Protection - Massive Attack Vs. Mad Professor (Wild Bunch Records, 1995)

Mais trippy, impossível.

9 - Homegrown Fantasy - Zion Train (China Records, 1995)

É um disco de dub misturado com dance music ou um disco de dance music misturado com dub?

10 - Research And Development - Dub Syndicate (On-U Sound, 1996)

Toda uma geração do UK dub (urbano, eletrônico, digital) está presente nesse tributo ao Dub Syndicate. Os dub remixes são tão inspirados que superam as originais em várias faixas.

11 - The K&D Sessions - Kruder & Dorfmeister (Studio !K7, 1998)

Kingston na visão de dois vienenses. Provavelmente, o disco que mais tocou em chill outs nos anos 90.

12 - Drum & Bass Stripped To The Bone - Howie B with Sly & Robbie (Palm Pictures, 1999)

O que acontece quando Howie B vai até a Jamaica e toma um ácido.

13 - Hi-Fidelity Dub Sessions Chapter 2 - Vários Artistas (Guidance Recordings)

A G-Stone de Kruder & Dorfmeister criou uma escola no final dos anos 90, início dos 00. Essa coleta - segundo capítulo de uma série de cinco - reúne alguns dos melhores alunos.

14 - Never Trust A Hippie - Adrian Sherwood (Real World Records, 2003)

Música étnica, bases futuristas, solos de trumpete e grave pesado: essa é a tônica do primeiro disco solo de um dos maiores nomes do dub mundial.

15 - See Mi Ya - Rhythm And Sound - (Burial Mix, 2005)

O melhor one-riddim album (disco inteiro com vocais em cima de uma única base) já feito. A sensação é de uma música que não acaba nunca; uma música que beira o infinito.

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